Jornal da Band

Abolição: como a escravidão acabou no Brasil

Em três séculos e meio chegaram ao Brasil 4,7 milhões de negros e negras escravizados, que cruzaram o oceano nos aterrorizantes navios negreiros. Um milhão deles desembarcaram no cais do Valongo, no Rio de Janeiro

Jornal da Band

Em três séculos e meio chegaram ao Brasil 4,7 milhões de negros e negras escravizados, que cruzaram o oceano nos aterrorizantes navios negreiros. Um milhão deles desembarcaram no cais do Valongo, no Rio de Janeiro, o maior porto atracador de escravizados do planeta. 

Durante boa parte desses três séculos e meio, a escravidão foi considerada natural, teve o apoio da igreja e segundo a elite, ela era fundamental para a economia do império. 

 Mas na segunda metade do século 19 o jogo começou a virar. Esta é a história de um dos maiores movimentos sociais que já aconteceu no brasil.

Compaixão, direito e progresso. Três palavras-chave da estratégia da confederação abolicionista que comandou a campanha pelo fim da escravidão.

“A escravidão foi considerada durante séculos em muitas partes do mundo como uma instituição completamente natural, que pertencia à ordem das coisas. Então para que houvesse um movimento organizado contra ela era preciso persuadir as pessoas de que não era assim, né? De que não era aceitável ter a escravidão como um fenômeno regular, rotineiro da vida social”, diz a socióloga Angela Alonso.

A movimentação era grande e envolvia diferentes setores da sociedade. Naquele momento, o país estava atrasado: era um dos poucos no planeta a manter a escravidão. Entre as estratégias de sobrevivência e liberdade dos escravizados, estava a de criar territórios livres, progressistas e seguros. 

“Alguns escravizados fugiam de São Paulo para o Rio de Janeiro, por exemplo, e chegavam no Rio tinha uma rede que dava sustentação as pessoas quer chegavam lá”, diz o jornalista e escritos Tom Farias.

No bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, que é hoje um dos endereços mais caros no Brasil inteiro, ficava o quilombo do Leblon, um dos mais importantes que o Brasil já teve.

Graças ao apagamento da nossa história, hoje não há absolutamente nenhuma referência da existência desse quilombo no local, mas ele pertencia a uma rede de quilombos abolicionistas que mudou a história do Brasil com a participação de escravizados. Sem essa participação, não existiria nenhum êxito no movimento abolicionista.

“O quilombo do Leblon, ele era uma chácara que pertencia ao português José Seixas Magalhães, ele adquiriu uma série de terras nessa região, e parte dessas terras era um lugar que ele recebia esses africanos escravizados, e era uma chácara na qual esses escravizados eles cultivavam camélias e essa flor acabou se transformando num ícone no símbolo do movimento abolicionista. Então, a princesa Isabel recebia buquês das camélias e o fato dela receber esses buquês e provavelmente dela saber de onde eles vinham, apontam provavelmente uma certa cumplicidade dela em relação a esse quilombo”, conta a historiadora Ynaê Lopes dos Santos.

Mas era preciso conquistar votos para derrubar a escravidão. Mas como conseguir isso num parlamento dominado por defensores do sistema escravista.

Pequenos avanços como a lei do ventre livre vinham recheados de condições para proteger os donos de escravos.

“A lei do ventre livre é um grande acordo, né? O que aconteceu é que eles continuaram funcionando como escravos. Então, do ponto de vista formal, eles estão livres. Mas até os 21 anos, eles estão sob protetorado, que é a palavra do senhor”, explica a socióloga Angela Alonso.

“É uma sociedade extremamente dependente da escravidão e senhores de escravos que estão acostumados a explorar outras pessoas. Então eles vão abrir, mas muito lentamente para liberdade. Eles tentavam controlar o máximo a vida daquelas pessoas. Era uma liberdade, mas nem tanto assim”, disse o professor de história Vitor Hugo Monteiro.

Mais notícias

Carregar mais