Jornal da Band

Elefantes ganham nova vida em santuário na Chapada dos Guimarães

Local no Cerrado do Mato Grosso abriga animais resgatados de cativeiros de circos e zoológicos pela América do Sul

Valteno de Oliveira, do Jornal da Band 01/12/2021 • 07:16 - Atualizado em 01/12/2021 • 07:18

Entre as belas paisagens da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, passa o caminho que nos leva ao primeiro santuário de elefantes do Brasil. Lá, muitos animais que sofriam maus tratos em circos e zoológicos ganham uma nova vida.

Em meio ao Cerrado, centenas de nascentes e cachoeiras de todos os tamanhos. É nesse cenário que encontramos cinco gigantes da natureza, que vieram do outro lado do mundo.

“Eles são animais muito incríveis, muito sensíveis, muito inteligentes, têm uma vida muito longa”, destacou a tratadora Shirlei de Souza.

Todas as elefantas que estão aqui são de origem asiática. E foram resgatados em circos e zoológicos do Brasil e na Argentina. Há seis anos eles têm chegado ao local na Chapada, onde vão passar os últimos anos da vida deles recebendo carinho e proteção. Bem diferente da vida que levavam antes. 

As primeiras a chegar foram Maia e Guida, que trabalharam em circo por mais de 40 anos. Foram resgatas há seis. Estavam acorrentadas em um sítio em Paraguaçu, Minas Gerais. Guida já morreu.

O segundo resgate foi o de Rana, há três anos. Antes, vivia em um hotel fazenda em Aracaju, no Sergipe.

Em 2019, foi a vez de Ramba. A fêmea veio do Chile, percorreu mais de 3.600 quilômetros até o santuário. Mas, por causa do histórico de maus tratos, morreu dois meses depois. 

No mesmo ano, Lady chegou. Ela tem cerca de 50 anos, e desde filhote trabalhava em circos. Foi resgata de um zoológico em João Pessoa, na Paraíba.

Ano passado, Mara foi trazida da Argentina. Viveu quase 25 anos em circos e cativeiros. Cruzou a fronteira em plena pandemia, e juntamente com Bambi, que estava em um zoológico em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, completam o grupo de elefantas que vivem atualmente no santuário na Chapada.

“Depois de todos esses anos, trinta e poucos anos trabalhando com elefantes em cativeiros, eu ainda me arrepio quando eu penso nesses primeiros passos, quando penso nesses primeiros momentos quando o elefante sai do container de transporte e pisa nesse ambiente. Tudo sobre eles muda. Em 24 horas, eles já são um elefante diferente. Você vê luz nos olhos deles, que muitas pessoas dizem que não estava lá por anos”, exaltou Scott Blais, que preside o santuário.

Mesmo com vegetação de sobra para se alimentar, as elefantas também se alimentam de ração a base de feno e frutas.

“É bastante responsabilidade, o momento que a gente tem para olhar como elas estão, com saúde. Se estão comendo bem, se estão se comportando bem no geral”, diz Shirlei, que ainda se encanta com a cena.

O santuário tem cerca de mil hectares. Mas o espaço por onde os animais circulam mede pouco mais de 30 hectares. Muito bem cercado, afinal, há outras fazendas na vizinhança.

O local é mantido com a ajuda de ONGs, como a Elephant Voices e Global Sanctuary For Elephants. Estima-se hoje que aproximadamente 50 elefantes vivam na América do Sul – 25 deles, no Brasil. Todos em cativeiro.

“Aqui a vida é incrível, mas ainda há dúzias de elefantes que continuam sofrendo em cativeiro, e isso tem que parar. É uma completa injustiça”, criticou Scott.