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Mais potente e "memória de combate": Butantan desenvolve vacina 100% brasileira

Desenvolvida no Butantã, vacina brasileira pode ser mais potente

Da Redação, com Jornal da Band 06/03/2021 • 05:26

O Instituto Butantan está avançando no desenvolvimento de uma vacina 100% brasileira. A reportagem exclusiva é de Sandro Barboza, para o Jornal da Band

Com um planeta inteiro disputando cada dose, mais do que ter acesso às vacinas que já existem é desenvolver uma nova coloca o País em um patamar mais alto na ordem mundial.

Por isso, o Instituto Butantan trabalha em duas frentes para a imunização contra a covid-19: a parceria para a fabricação da chinesa CoronaVac e o desenvolvimento de uma vacina de segunda geração, que faria o Brasil ter um imunizante 100% nacional. 

Com isso, o País não dependeria mais de tecnologias importadas. Em São Paulo, pesquisadores do Butantan estão combinando técnicas de biotecnologia, se valendo de um mecanismo que algumas bactérias usam para despistar o nosso sistema imunológico. 

Elas liberam pequenas esferas, chamadas vesículas, como isca para desviar a defesa do organismo. Os técnicos vão criar em laboratório estas vesículas e acoplar nelas a superfície do coronavírus, o que não só atrairia as células de defesa do corpo e produziria glóbulos brancos e macrófagos, que limpam o organismo de agentes estranhos (veja a representação no vídeo acima). 

A pesquisa está em fase inicial e usa como base vacinas contra doenças como a esquistossomose, a pneumonia e a coqueluche. A coordenadora da pesquisa Luciana Cerqueira disse que os primeiros testes mostraram resultados muito acima do esperado. 

“Eles indicaram um aumento da quantidade de anticorpos de 200 vezes”, analisou a pesquisadora. 

A vantagem desse tipo de vacina é que ela cria uma espécie de “memória de combate” no organismo contra o agente infeccioso, no caso o coronavírus e suas mutações. 

Tecnologicamente, ela já seria um avanço em relação às já existem no mercado e daria autonomia na tomada de decisões por parte das autoridades. 

A expectativa do Butantan é iniciar os testes em voluntários até o final deste ano. 

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