Jornal da Band

Mata Atlântica: área de floresta cresceu 7% em 20 anos

No ano 2000, a extensão de florestas era de quase 34 milhões de hectares, agora passa de 37 milhões

Da redação 01/06/2021 • 21:05

O desmatamento da Mata Atlântica caiu 9% no último ano. É o que indica um levantamento feito pelo Inpe em parceria com a fundação S.O.S Mata Atlântica.

Há 45 anos, o aposentado Valter Magnani chegou em São Lourenço da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Em quatro décadas, ele não só trabalhou para manter a Mata Atlântica, como aumentou a área verde. Um dos resultados é a visita frequente de uma família de antas e até mesmo de uma anta albina, uma espécie rara.

"É uma realização saber que está sendo preservado, nao só eu, eu sou um dos que colaboraram com isso, mas é gratificante", diz Magnani.  

Nos últimos 20 anos, a Mata Atlântica passou por um vigoroso processo de aumento de área de regeneração. No ano 2000, a extensão de florestas era de quase 34 milhões de hectares, agora passa de 37 milhões. Isso significa que, em média, a área preservada cresceu 127 mil hectares por ano.

"No agregado essa área está estável e esse crescimento é compensado pelo que a gente perde. A gente tem que agora ir na direção da restauração", afirma Luis Fernando Guedes Pinto, diretor de conhecimento da S.O.S Mata Atlântica.

O estudo do S.O.S Mata Atlântica em parceria com o Inpe revela ainda que dos 17 estados com Mata Atlântica, oito estão próximos do desmatamento zero, ou seja, menor do que 100 hectares. Por outro lado, as áreas desmatadas em São Paulo e Espírito Santo cresceram mais de 400%.

Para Xico Graziano, ex-secretário do Meio Ambiente de São Paulo, a porcentagem é alta, mas em números absolutos é possível perceber que o aumento não é expressivo. Ou seja, o índice elevado produz uma falsa percepção.  

Em São Paulo, passou de 43 hectares para 218 e no Espírito Santo de 13 para 75 hectares. Graziano também reforça que o desmatamento nas regiões metropolitanas e no litoral está ligado principalmente à expansão imobiliária e ao turismo.

"Onde nós verificamos isso? Nas áreas urbanas. Não tem a ver com agricultura e pecuária. São loteamentos, especulação imobiliaria (...) mas o remanescente do estado de Sao Paulo é de mais de 5 milhões de hectares. Ou seja, a Mata Atlântica está num patamar bastante conservado aqui em São Paulo", afirma ele.