Jornal da Band

Ministério Público tentará reverter anulação do júri do caso da boate Kiss

Incêndio na boate Kiss matou 242 pessoas em 27 de janeiro de 2013 na cidade de Santa Maria. Quatro acusados deixaram a prisão ontem

Ticiano Kessler 04/08/2022 • 19:30 - Atualizado em 04/08/2022 • 20:39

O Ministério Público do Rio Grande do Sul vai tentar reverter a anulação do júri da Boate Kiss. E enviou um pedido para que o ministro Luiz Fux, do STF, analise o caso e mantenha os quatros acusados presos.

Entre a condenação e a anulação do júri popular, os acusados da tragédia da boate Kiss ficaram menos de oitos meses atrás das grades.

Os empresários Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, que eram sócios da casa noturna, Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da Banda Gurizada Fandangueira, e Luciano Bonilha Leão, auxiliar do grupo musical, foram soltos na noite desta quarta-feira (3).

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que acatou recursos das defesas por irregularidades no julgamento, revoltou familiares das vítimas.

A promotoria entendeu que o TJ não poderia ter determinado a soltura dos quatro devido a uma decisão do ministro Luiz Fux, que mandou prendê-los após o julgamento realizado em dezembro do ano passado.

O Ministério Público já confirmou que serão apresentados recursos contra a decisão do Tribunal de Justiça ao STF e ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Relembre o caso

No dia 27 de janeiro de 2013, a casa noturna recebia várias atrações. Dentre elas, o show da banda Gurizada Fandangueira. 

Durante a apresentação do grupo, um dos integrantes acendeu um sinalizador, artefato pirotécnico que fazia parte da performance, que entrou em contato com a espuma que revestia o ambiente e causou o fogo.

Segundo relatos de sobreviventes e dos réus, as pessoas presentes na boate tentaram sair pela única saída, mas foram impedidas pelos seguranças, que acreditavam que a movimentação se tratava de uma briga.

De acordo com o laudo médico, a causa da morte dos jovens foi a aspiração de cianeto, substância tóxica que estava presente na espuma de isolamento acústico.