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Mendonça Filho aponta omissão do MEC para minimizar efeitos da pandemia na educação

À BandNews TV, ex-ministro da Educação falou sobre impactos da covid-19, homeschooling e eleições 2022

Da Redação, com BandNews TV 15/04/2021 • 00:55 - Atualizado em 15/04/2021 • 00:59
Mendonça Filho foi o entrevistado no "Ponto a Ponto" desta quarta
Mendonça Filho foi o entrevistado no "Ponto a Ponto" desta quarta
Reprodução TV

Ex-ministro da Educação no governo de Michel Temer, Mendonça Filho fez críticas à atuação de sua antiga pasta durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, que atingiu diretamente o setor, em entrevista ao Ponto a Ponto desta quarta-feira (14), da BandNews TV. Ele apontou a falta de liderança do MEC nas discussões de soluções para minimizar o veto às aulas presenciais e combater a falta de estrutura de estabelecimentos públicos, acentuada pelo aumento da pobreza da população. 

“Não teve atuação por parte do Ministério da Educação. Pelo contrário. É um consenso no meio educacional que o Ministério da Educação se omitiu, se distanciou, não atuou, não protagonizou a liderança que deveria ter nesse debate, inclusive propondo políticas públicas que pudessem minimizar, por exemplo, o [problema de] acesso à internet por estudantes das chamadas redes públicas de educação”, opinou para a jornalista Mônica Bergamo e o cientista político Antônio Lavareda, que comandam o programa (assista ao vídeo da entrevista na íntegra ao final do texto). 

Segundo estudo, o Brasil foi o quinto país com escolas fechadas por mais tempo durante a pandemia, por 267 dias. E o veto às aulas presenciais por conta do vírus trouxe outra questão com mais força: a prática do homeschooling – termo em inglês para as aulas lecionadas na casa dos alunos pelos próprios pais ou por professores particulares escolhidos por eles. O ex-MEC não é contra o sistema, mas não acha que ele, por si só, seja uma solução transformadora dos problemas da educação,  já que estaria acessível somente a pessoas de maior poder aquisitivo. 

“O caminho da homeschooling não deve ser impedido por parte do Estado brasileiro. Entendo que esse é um direito que pode e deve ser também oferecido aos pais, mas não como panaceia [algo que resolva todos os problemas] e a partir de uma regulação muito séria, para que os alunos cujos pais optem por esse tipo de educação possam ter também responsabilidade de adequação dentro do sistema nacional de educação e supervisão por parte das redes estaduais. Mas isso é para uma pequena minoria”, disse. Ele ainda pontuou a importância do convívio social como primordial na formação educacional, motivo pelo qual não crê que o ensino 100% remoto ou virtual seja benéfico. 

Mendonça Filho é um crítico ao movimento “Escola Sem Partido”, defendido primordialmente por apoiadores do atual presidente Jair Bolsonaro. 

“Não existe nenhuma experiência no mundo que estabeleça regras de tribunais para avaliar ideologicamente professores”, cravou Filho, defendendo a pluralidade de ideias no meio educacional.

Elogios a Mandetta como nome forte para 2022 

Filiado ao DEM, Mendonça Filho ainda vê seu partido dividido quanto às correntes eleitorais, mas acredita no caminho de um candidato próprio para as eleições presidenciais de 2022. Ele fez diversos elogios ao ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, e o vê como nome forte e qualificado para a disputa e como opção à “polarização estabelecida” entre Lula e Bolsonaro. 

"Acho que o partido hoje, se por ventura você fizesse uma pesquisa interna com as lideranças mais expressivas, buscaria o caminho de uma candidatura própria. E o nome de Mandetta é muito forte, porque tudo que ele anteviu ainda na época em que era ministro, do ponto de vista de desastre se outras medidas não foram tomadas, de certo modo aconteceu. Ele foi um excelente ministro da Saúde”, avaliou. 

Assista à entrevista com Mendonça Filho na íntegra:

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