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Queiroga aponta erros de estados na vacinação em adolescentes

Ministro da Saúde disse que 1,5 mil de jovens tiveram reação adversa e campanha para esse público foi "intempestiva"

Da Redação, com BandNews FM, BandNews TV e Jornal da Band 16/09/2021 • 16:54 - Atualizado em 17/09/2021 • 08:52

Após o Ministério da Saúde suspender a recomendação para imunização contra Covid-19 em jovens de 12 a 17 anos sem comorbidades, Marcelo Queiroga, ministro da pasta, defendeu a nova orientação na campanha de vacinação contra a Covid-19 e apontou precipitação e erros de estados e municípios para iniciar a imunização neste público.

Queiroga ainda faz um apelo para que estados e municípios sigam a orientação, interrompam a vacinação em adolescentes sem comorbidades e sigam o Plano Nacional de Imunização (PNI) de forma uniforme.

“Não dá para o Ministério da Saúde se responsabilizar por condutas que são tomadas fora das recomendações sanitárias do País”, alegou.

Citando dados do ministério, ele afirmou que 3,5 milhões de jovens já tomaram a primeira dose da vacina, segundo Queiroga, de “forma intempestiva” e disse que eles não devem tomar a segunda dose.

Segundo ele, foram aplicadas 26 mil doses não autorizadas. Cerca de 1,5 mil pessoas apresentaram algum tipo de reação adversa após a imunização. Sete delas foram identificados em São Paulo, além de uma morte, ocorrida há dez dias e que poderia ter relação com a vacinação - uma adolescente de 16 anos em São Bernardo do Campo após dose da vacina Pfizer

No fim da tarde desta quinta, a Anvisa divulgou que já investiga o caso da morte da jovem, que ocorreu em 2 de setembro. Contudo, a agência destaca que “não há relação causal definida entre este caso e a administração da vacina”. E ressaltou a aprovação da imunização desse público com o imunizante da Pfizer, feita em junho de 2021, após análise de estudos de fase 3 que demonstraram sua eficácia e segurança.

Ainda de acordo com o governo federal, houve erros na aplicação de doses em adolescentes, sendo 93% por falhas na administração de vacinas. Queiroga apontou que houve casos de vacinação de adolescentes com imunizantes da Jansen, CoronaVac e AstraZeneca, não recomendadas pelos órgãos de controle aos adolescentes - apenas a vacina da Pfizer é autorizada pela Anvisa para aplicação neste público. 

Vídeo: Infectologista Marcos Boulos discorda de decisão do Ministério

A decisão da Saúde foi publicada no sistema do Ministério da Saúde na noite da última quarta-feira (15), restringindo a aplicação das vacinas somente aos adolescentes que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade. Queiroga disse que a decisão pode ser revista em caso de “evidências científicas sólidas”.

Entre as justificativas, o Ministério da Saúde aponta que a maioria dos adolescentes sem doença preexistente não sofre de casos graves da doença, que há somente um imunizante avaliado em ensaios clínicos e que os benefícios da vacinação nessas pessoas ainda não estão claramente definidos.

No Brasil, há 21 milhões de adolescentes entre 12 e 18 anos, o que equivale a 11% da população.

Os estados e municípios têm autonomia para decidir se suspendem ou não a imunização nessa faixa etária. São Paulo e Rio decidiram manter a campanha em adolescentes, em movimento seguido por grande parte das capitais. Veja aqui a situação de alguns deles após a nova orientação.

Reações

A decisão causou confusão e apreensão, principalmente nos pais dos jovens

“É importante a gente entender que ainda temos uma carga elevada da doença no Brasil. Não se justifica a interrupção completa da vacina. A gente poderia adotar o que a Inglaterra sugeriu na última semana, que é vacinar com uma dose”, disse em entrevista ao BandNews TV.

O infectologista Marcos Boulos diz que estados e municípios tiveram esquemas diferentes de vacinação por falta de coordenação nacional.

O Ministério da Saúde negou que esteja faltando vacina. Diz que segue orientação da Organização Mundial de Saúde, ao definir que adolescentes sem comorbidades só devem ser vacinados depois da dose de reforço dos idosos.

Mas o ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina, acredita que a decisão de Queiroga se deve à falta de estoque de imunizantes.

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