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MP do Rio Grande do Sul investiga médica após morte de pacientes tratados com nebulização de hidroxicloroquina

Da redação com Band RS 25/03/2021 • 15:26

O Ministério Público do Rio Grande do Sul vai apurar a relação da morte dos três pacientes no hospital Nossa Senhora Aparecida em Camaquã com o tratamento de hirdoxicloroquina via nebulização, como parte da investigação da médica Eliane Scherer, que está em andamento desde terça-feira.  As informações são da Band RS.

Eliane está afastada desde o dia 10 por infrações éticas, que utilizava o medicamento sem comprovação. Apesar do desligamento, a médica seguiu realizando o tratamento experimental para alguns pacientes no Hospital, incluindo os que conseguiram autorização judicial e que assinaram um termo de conciliação reiterando que pretendiam aderir à nebulização de hidroxicloroquina. O primeiro caso de óbito trata-se de uma paciente que fez a nebulização no domingo à tarde. Ela também estava com um estado grave e aguardando um leito de UTI. A paciente faleceu na segunda-feira, um dia após ter feito a sessão de nebulização. Ela apresentou taquicardia.

O segundo caso de óbito é de um homem que assinou o termo e demonstrou interesse no tratamento com a médica e o hospital. O paciente estava sob cuidados da equipe do hospital até segunda-feira às 18h, e a partir das 19h, a médica assumiu o tratamento integral. O quadro era considerado estável, sem necessidade de intubação até aquele momento. Foram pouco mais de 14 horas após o início das nebulizações até que o paciente viesse a óbito, na terça-feira. Ele apresentou falta de ar e queda de saturação. O terceiro paciente que veio a óbito recebeu o tratamento experimental e fez a primeira inalação da hidroxicloroquina na sexta-feira. O seu estado já era considerado grave, e aguardava liberação de UTI. O homem morreu na madrugada desta quarta-feira após apresentar taquicardia.

Hepatite medicamentosa

Na quarta-feira, em Campinas, o Hospital das Clínicas da Unicamp identificou pela primeira vez um paciente com hepatite medicamentosa relacionada ao tratamento com o “kit covid”, que chegou a ser distribuído pelo Ministério da Saúde na gestão Pazuello.

A recomendação “fora da bula”, ou seja, uso de um remédio para tratamento do qual ele não é recomendado é defendida até hoje pelo presidente Jair Bolsonaro.

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