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Mulher com Covid-19 no Rio não está infectada com variante ômicron

Sequenciamento genético apontou que a passageira que veio da África do Sul está com a cepa delta do vírus

Gabriela Morgado e Marcus Sadok, do BandNews TV e BandNews FM Rio 03/12/2021 • 13:39 - Atualizado em 03/12/2021 • 14:17

A mulher que veio da África do Sul e testou positivo para a Covid-19 está com a variante delta do Covid-19, e não a ômicron, de acordo com o secretário municipal de saúde do Rio, Daniel Soranz.

O sequenciamento genético foi realizado pela Fundação Oswaldo Cruz.

A passageira, que não teve a identidade divulgada, chegou ao Rio vindo da África do Sul no dia 21 de novembro. Ela chegou a testar negativo para a Covid-19. Mas um segundo exame, em 29 de novembro, apontou que ela estava com a doença.

A mulher está assintomática e isolada. Segundo a prefeitura, ela tomou as duas doses da vacina, e todos que tiveram contato com ela testaram negativo para a doença.

Com isso, o Brasil continua com cinco casos confirmado de pessoas infectadas com a variante ômicron do coronavírus.

Vídeo: OMS pede para países se prepararem para novo surto de Covid-19

Primeiros casos no Brasil

O casal, que reside na África do Sul, chegou ao Brasil a passeio no dia 23 de novembro e testou positivo pra covid-19 no dia 25, quando retornariam. Ambos estavam vacinados com a dose única da Janssen.

O que se sabe sobre a nova variante da covid-19 com mais mutações

Cientistas fizeram um alerta sobre a ômicron, a nova variante da covid-19 que tem um número alto de mutações e pode causar uma nova onda de infecções pela doença, já que ela poderia escapar dos sistema imunológico. Ela apresenta mais que o dobro de mutações que a delta. 

A ômicron (B.1.1.529) foi classificada como “preocupante” pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e ganhou um novo nome: Ômicron. A OMS resolveu nomear as novas cepas do Sars-cov-2 com letras do alfabeto grego. Ômicron é a 15ª letra. 

Os primeiros casos da variante B.1.1.529 foram identificados em Botsuana em 11 de novembro. Três dias depois, o primeiro de vários casos do B.1.1.529 foi confirmado na África do Sul. Atualmente, a ômicron já está presente em quatro continentes --em alguns países, como no Brasil, entrou antes mesmo de ter sido anunciada pela OMS.

Ainda não há informações a possibilidade de a variante Ômicron apresentar uma mudança nos sintomas ou na gravidade da Covid. A médica sul-africana que identificou os primeiros casos de Covid-19 infectados pela nova cepa relatou que seus pacientes apresentaram sintomas incomuns, mas moderados, como fadiga intensa e pulsação alta.

Grande número de mutações

A Covid-19 evoluiu para se tornar mais contagiosa com o tempo. A variante alfa, detectada pela primeira vez no Reino Unido no ano passado, foi mais facilmente passada de pessoa para pessoa do que a versão original do Sars-Cov-2. A variante delta, posterior, era mais transmissível do que alfa.

Os cientistas ainda estão estudando a nova variante, mas eles já identificaram pelo menos 32 mutações na proteína spike, que é o alvo da maioria das vacinas já desenvolvidas e ponto chave que o vírus usa para invadir as células do corpo. Isso representa o dobro de mutações da cepa delta.

Considerado as variações das mutações, os cientistas prevêem que o vírus terá maior probabilidade de infectar --ou reinfectar-- pessoas. 

"Essa variante parece se espalhar muito rápido. Em menos de duas semanas ela já domina as infecções," escreveu no Twitter Tulio de Oliveira, virologista brasileiro e diretor do Centro para Resposta Epidemiológica e Inovação (CERI, na sigla em inglês), da África do Sul.

Os cientistas estão preocupados com o número de mutações e com o fato de algumas delas já foram associadas a uma capacidade de escapar da proteção imunológica existente. Mas estas previões são teóricas, e laboratórios estão testando a eficácia com que os anticorpos neutralizam a nova variante. 

O avanço da ômicron, com as taxas de reinfecção, e os sintomas que ela provocar também darão uma indicação mais clara sobre a extensão de qualquer alteração na imunidade. Os cientistas não esperam que a variante seja totalmente irreconhecível para os anticorpos existentes --consideram apenas que as vacinas atuais podem dar menos proteção. 

Portanto, um objetivo crucial continua sendo aumentar as taxas de vacinação, incluindo terceiras doses para grupos de risco.