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Neta diz que Elza Soares "foi embora tranquila e cercada de amores"

Velório da cantora aconteceu nesta sexta-feira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Marcus Sadok 21/01/2022 • 14:21 - Atualizado em 21/01/2022 • 14:24

Vanessa Soares, neta da cantora Elza Soares, disse nesta sexta-feira (21) em entrevista à BandNews TV que a artista “foi embora tranquila, calma e cercada de amores”. A declaração aconteceu durante o velório, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

“Ela merecia essa despedida. A gente que ainda não estava pronto. O ser humano é egoísta. Para nós, familiares, não estávamos prontos. Mas quando vimos a serenidade da Elza, a paz que ela estava com a família toda reunida em torno dela, a gente relaxou. Ela foi de forma tranquila, calma e cercada dos amores da vida dela”, afirmou.

Vanessa contou também que a artista estava atuando em diversos projetos nas últimas semanas e ainda terá muitos trabalhos lançados.

“Ela era uma mulher surpreendente. Não parava. De outubro até janeiro, ela gravou um disco, que está pronto para ser lançado, com inéditas e cinco músicas de autoria dela. Um disco emblemático. Tem um DVD que gravamos segunda e terça-feira com clássicos da carreira, dois documentários, está na trila sonoro de um filme, fez um comercial. Deve ter ainda mais coisa que não consigo lembrar", elencou.

“Elza não morreu. Elza continua viva. Temos tanta coisa para falar e ouvir de Elza. O que está indo é matéria. O espírito, a vida, a alegria, a voz, a música e o legado vão nos alimentar por muitas décadas."

O velório aconteceu das 8h às 10h (de Brasília), restrito a familiares e amigos da cantora, e depois ficou aberto ao público de 10h às 14h. Em seguida, o caixão partiu para o cortejo e sepultamento. 

Elza Soares morreu na tarde da última quinta-feira (20), de causas naturais, aos 91 anos. A cantora faleceu no mesmo dia do aniversário da morte de Mané Garrincha – que morreu em 20 de janeiro de 1983, há 39 anos. Ela lançou 34 discos, o mais recente deles em 2019, intitulado “Planeta Fome”, e tinha prevista uma agenda de shows para fevereiro.

Trajetória conturbada

Elza da Conceição Soares, expoente da música popular brasileira, nasceu em uma família de 10 irmãos, na Vila Vintém, comunidade no bairro de Padre Miguel, na Zona Norte do Rio. 

A artista teve uma infância conturbada: casou-se aos 12 anos obrigada pelo pai, e o sobrenome “Soares” foi herdado do primeiro marido. Teve o primeiro filho aos 13 --que morreu com poucas semanas de vida. Ficou viúva aos 21 anos, e casou-se com Garrincha em 1966. Teve oito filhos

Aprendeu a cantar com o pai, um operário que adorava tocar violão. Sua mãe era lavadeira de roupas. Todo o sucesso que teve em sua carreira, sempre foi intercalado com desgraças. Seu talento foi descoberto em um show de calouros por Ari Barroso, 1953, na Radio Tupi.

No começo da década de 60, numa fase de grande sucesso, Elza se apresentou na Copa do Mundo do Chile. Foi lá que se apaixonou por Garrincha, que já era casado. Elza viveu com o jogador por quase duas décadas. Garrincha era alcoólatra e entre idas e vindas o relacionamento foi marcado por agressões, ciúmes e muita violência.

Reconhecida em 1999 como Cantora do Milênio, Elza Gomes da Conceição deu voz à canções icônicas como "Mulher do Fim do Mundo", "Eu Bebo Sim" e "A Carne". Ela também é considerada uma das 100 maiores vozes da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil.

A cantora também foi homenageada na Marquês de Sapucaí em 2020, no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel. Com o enredo "Elza Deusa Soares", o desfile retratou a era de ouro do rádio, nos anos 50, quando a menina da lata d’água na cabeça foi descoberta como uma estrela da música. A Mocidade resgatou uma das suas crias mais ilustres e encheu de alegria uma comunidade que esperou anos para revê-la.