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Entenda a "flurona", infecção simultânea por covid-19 e gripe

Infectologistas já relatam a incidência do quadro pelo Brasil

Marília Montich, no Jornal Metro 04/01/2022 • 07:13 - Atualizado em 04/01/2022 • 11:14
"Flurona", a coinfecção por coronavírus e influenza
"Flurona", a coinfecção por coronavírus e influenza
Reprodução

Você já ouviu falar em “flurona”? Trata-se da infecção simultânea por covid-19 e gripe. O nome vem da junção da palavra “flu” (que significa “gripe” em inglês) com parte de “coronavírus”.

Autoridades médicas de Israel confirmaram o primeiro caso da dupla infecção no fim de semana. No Brasil, infectologistas já relatam a incidência do quadro pelo país. 

Os sintomas da “flurona”, se comparados aos da covid-19 ou da Influenza isoladamente, são bem semelhantes entre si e o diagnóstico é feito através de painel viral.

“Observa-se febre, dor no corpo, inapetência, tosse, dor nas articulações, nos músculos e de garganta. Em casos mais graves, pode haver falta de ar e a necessidade de internação, eventualmente até em UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, explica Estêvão Urbano, infectologista e diretor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Vídeo: casos de “flurona” crescem no Brasil

O também infectologista e consultou da SBI Marcelo Daher acrescenta que normalmente os quadros de “flurona” são mais arrastados e podem ter mais intensidade nos sintomas. 

“O que chama a atenção é que, no geral, se imagina que duas infecções conjuntas não poderiam acontecer, mas tem acontecido e estamos tendo a oportunidade de acompanhá-las.”

Daher traz, entretanto, um alívio. "As duas doenças juntas não significam necessariamente uma maior gravidade, a não ser que fatores de risco estejam associados, como idade e comorbidades."

Como se prevenir contra a “flurona”

As recomendações para a prevenção são as mesmas quando se fala em covid-19 ou em gripe: usar máscara de proteção facial, evitar ambientes fechados e aglomerações. Além disso, a imunização, tanto contra o coronavírus como contra a Influenza, se mostra mais que necessária. 

“A vacina contra a gripe protege contra várias cepas. Não se sabe exatamente o nível de resposta no caso da H3N2, que é a gripe mais usual nessa crise que estamos vivendo, mas possivelmente ela confere pelo menos uma proteção parcial, e as pessoas não vacinadas deveriam se vacinar. Na vacina que será distribuída a partir de março já deverá haver cobertura para essa variante Darwin do H3N2. assim, acredito que essa campanha será fundamental para a prevenção na atual epidemia”, diz Urbano.

O que diz o Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde não informou quantos casos de “flurona” já foram registrados no Brasil. A pasta disse, contudo, que os dados de Influenza e outros vírus respiratórios são monitorados via vigilância sentinela, onde, por amostragem semanal, são feitos diagnóstico para Influenza e alguns outros vírus respiratórios, além da vigilância da SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e covid-19.

Vídeo: Surto de H3N2 deixa estados em alerta

“Deve ser observado que esses são dados amostrais de análise qualitativa, cujo objetivo é identificar o perfil epidemiológico dos casos e conhecer os vírus respiratórios circulantes, com o objetivo de traçar medidas de prevenção e de controle pelas autoridades de saúde”, afirmou, em nota. 

“Diante da pandemia, ficou definido um fluxo para diagnóstico de vírus respiratórios, no qual investiga-se a infecção por SARS-CoV-2 e, quando não é detectado, verifica-se a presença de Influenza e outros vírus respiratórios”, completou.

Por fim, a pasta informou que já iniciou as tratativas junto ao Instituto Butantan para aquisição das doses para a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza que será realizada em 2022, conforme ocorre anualmente. 

“O imunizante encomendado é o recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para o hemisfério sul no ano de 2022 e comtempla em sua composição o vírus H3N2, circulante no País neste momento. A vacinação contra a Covid-19 segue Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 (PNO), com foco na aplicação de segundas doses e doses de reforço.”

Este texto foi originalmente publicado no METRO JORNAL