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Obras da Copa do Mundo no Brasil: saiba o que nunca saiu do papel

Realização do Mundial de 2014 custou R$ 33 bilhões ao país e algumas obras nem foram terminadas

Por Andrey Mattos

Obras da Copa do Mundo no Brasil: saiba o que nunca saiu do papel
Twitter FluminenseFC

O pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014 aconteceu na Arena Corinthians, no dia 12 de junho, um Dia dos Namorados, 10 anos atrás. Considerando o caso de amor do Brasil com o Mundial, o presente não foi nada barato: o valor final foi de R$ 33 bilhões, de acordo com o relatório consolidado pelo Tribunal de Contas da União.

Do total, R$ 7 bilhões foram gastos em mobilidade urbana e R$ 8 bilhões em estádios. As obras relativas a aeroportos custaram R$ 6,2 bilhões e as de entorno dos estádios tiveram custo de R$ 996 milhões.

Diferentemente do futebol, que rolou nos estádios das 12 cidades-sede, muitas dessas obras que receberam investimento federal não saíram do papel. Outras saíram com anos de atraso e muitas ainda nunca foram iniciadas.

O jornalismo da Band, com o auxílio da ferramenta Pinpoint do Google, analisou documentos do TCU, a Matriz de Responsabilidades da Copa 2014, e traz uma relação de obras que deveriam ter sido entregues para a copa, mas que estão abandonadas ou que nem foram iniciadas em várias das cidades sede.

Confira os documentos públicos publicados no Google Pinpoint

Rio de Janeiro

A capital fluminense recebeu a final da competição no Maracanã. O Rio foi usado como modelo pelo comitê organizador da Copa. Nenhuma obra ficou inacabada na cidade maravilhosa, porém diversas delas, como o VLT, só foram concluídas depois do término do mundial.

Porém, diversas obras no Rio não saíram do papel. A ideia de um Novo Porto foi descartada em 2013, sendo adaptada para a área que recebeu o Museu do Amanhã e Porto Maravilha, conduzido pela Prefeitura do Rio.

O BRT Transcarioca também foi inaugurado com atraso. Parte das obras ficaram abandonadas e outro trecho das obras, o BRT Transbrasil, só foram concluídas neste ano de 2024.

São Paulo

A capital paulista recebeu os jogos da Copa do Mundo na Arena Corinthians, em Itaquera, na zona leste, porém longe do estádio está uma das obras que estão inacabadas em São Paulo. A linha 17-ouro do monotrilho, que ligaria a região do aeroporto de Congonhas ao bairro do Morumbi está em obras desde 2011.

Em 2023, o Governo de São Paulo retomou as obras. O contrato foi assinado com o Metrô no dia 31 de maio pelo valor de R$ 847 milhões — quantia já corrigida pela inflação da oferta original feita quatro anos atrás.

A perspectiva é que o monotrilho fique pronto em 2025, com a estrutura em operação no primeiro trimestre de 2026.

O projeto da Copa de 2014 também previa a construção de um trem-bala para ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. O objetivo era entregá-lo antes da Copa do Mundo de 2014, depois foi postergado para 2016 e mais adiante para 2020. Porém, o governo federal desistiu do projeto.

Brasília

O estádio Mané Garrincha custou R$ 1,4 bilhão e foi o mais caro entre as arenas para a Copa 2014. E nem esse valor tão alto evitou que a capital federal ficasse com obras inacabadas do mundial de 2014. Na matriz de Brasília estava prevista a construção de túneis entre o Centro de Convenções, o estádio Mané Garrincha e o Parque da Cidade, mas a obra nunca foi feita.

A construção dos túneis foi incluída na licitação de R$ 285 milhões, referente às obras do entorno do estádio Mané Garrincha. Com quase R$ 7 milhões gastos, o governo nunca iniciou as obras dos túneis.

Outra obra que começou, mas foi cancelada, foi a do VLT de Brasília. As obras foram interrompidas sete vezes. O orçamento inicial era de R$ 1,5 bilhão. O cancelamento de todo o projeto foi anunciado oficialmente em setembro de 2012.

O Jardim Burle Marx, planejado para o Mundial, só foi entregue em 2023, dez anos após o começo das obras.

Porto Alegre

Na capital dos gaúchos uma das obras que não saíram do papel é o trecho 2 da Voluntários da Pátria, prevendo a duplicação da rua até a avenida Sertório, teve o contrato encerrado, mas aguarda a captação de recursos para que possa sair do papel.

Dentre as 18 obras da Copa, seguem pendentes, ainda, o prolongamento da avenida Severo Dullius e a infraestrutura da José Pedro Boéssio, ambas na zona Norte, e a duplicação da avenida Tronco, na zona Sul.

Salvador

Na Bahia, a maior parte das obras foi entregue para a Copa. Porém, as reformas do aeroporto local e do BRT, projeto de transporte rápido por ônibus, não foram concluídos para o mundial. As obras no aeroporto só tiveram seguimento após a empresa francesa Vinci Airports assumir a gestão.

Recife

Na capital de Pernambuco o chamado Ramal da Copa ainda segue como um dos projetos inacabados. O projeto viário já custou quase R$ 200 milhões aos cofres públicos, porém Problemas como falta de recursos, questões com empreiteiras, impasses judiciais e desapropriações atrasam a obra em 10 anos.

Os corredores de BRT também não foram 100% entregues. Os corredores leste-oeste, que ligariam Camaragibe ao centro de Recife e tinham um orçamento de R$ 145 milhões, não foram finalizados. Depois de R$ 136 milhões gastos, o contrato foi rescindido em 2015 deixando obras por terminar.

Já o Terminal Integrado de Camaragibe nunca saiu do papel.

Belo Horizonte

Além do 7x1, que marcou para sempre o futebol do Brasil, a capital mineira também teve que conviver com obras não finalizadas. As obras de ampliação e melhoria do Aeroporto Internacional de Cofins estão paralisadas.

A empresa que administra o terminal afirma que a Infraero não fez repasses o que resultou na paralisação das obras. A Infraero afirma que detém 49% do aeroporto e, portanto, a responsabilidade das obras é da concessionária. O processo está na Justiça.

Fortaleza

No Ceará nenhuma das obras planejadas foi deixada inacabada, mas várias delas foram concluídas com atraso. Casos do BRT, VLT e a ampliação do aeroporto Pinto Martins, que começou em 2010 e terminou em 2023, após a privatização.

Cuiabá

A Copa no Brasil aconteceu em 2014. Outros dois Mundiais já foram disputados em 2018 e 2022, mas várias das obras de 14 ainda estão “em desenvolvimento”. O Centro Oficial de Treinamento (COT) da Barra do Pari está com 69% dos trabalhos terminados.

A Estrada do Moino teve obras de duplicação iniciadas em 2012 e até o momento não foi concluída. O governo estadual afirma que os trabalhos estão 90% concluídos.

Já o VLT segue em obras e já foi inclusive alvo de investigação da Polícia Federal, em 2017. Segundo a PF, o ex-governador Silval Barbosa estaria envolvido em um caso de corrupção envolvendo a obra. A entrega do VLT ainda não tem prazo de entrega e a obra já custou mais de R$ 1 bilhão.

A modernização do Aeroporto Marechal Rondon ainda também não foi concluída. Entregue a iniciativa privada, o terminal pode ter finalmente as obras finalizadas em 2024, segundo a Centro Oeste Airports. O início dos trabalhos aconteceu em 2012.

Curitiba

No Paraná, nem a Copa foi capaz de tirar do papel o metrô de Curitiba. A obra Previa investimento de R$ 1,2 bilhão para uma primeira linha, mas não aconteceu.

O corredor Aeroporto-Rodoferroviária, na avenida das Torres, não teve sua totalidade concluída.

Manaus

Em Manaus, o que não saiu do papel foi o BRT. A obra foi oficialmente descartada em 2012 e novamente em 2019. A decisão conjunta entre prefeitura e governo estadual. A construção de um CAT, Centro de Atendimento ao Turista, na Rodoviária de Manaus também não foi iniciado.

Natal

Das 10 obras de mobilidade da prefeitura de Natal previstas para a Copa, só seis estavam prontas nos primeiros jogos. Exemplo: no acesso sul ao aeroporto, pelo município de Macaíba, a duplicação da BR-304 também está incompleta.

Já próximo da Arena das Dunas, A reforma e padronização das calçadas não está finalizada. As obras foram retomadas em 2023 e, de acordo com a prefeitura de Natal, estão sendo concluídas.

Brasil será sede da Copa do Mundo feminina em 2027

Treze anos após receber a Copa do Mundo masculina, agora o país será sede do mundial feminino, em 2027. O Brasil concorreu com uma candidatura tripla, formada por Alemanha, Bélgica e Holanda. A campanha brasileira já tinha recebido uma nota melhor na primeira avaliação: 4 contra 3,7. Será a primeira vez que a Copa feminina vai acontecer na América do Sul.

Segundo a FIFA, a ideia é de aproveitar o “legado” e a estrutura deixada pelo mundial de 2014. Gianni Infantino, presidente da Fifa, falou – em português – que será a melhor Copa do Mundo da história. 

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