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Caso Covaxin: Pazuello diz que foi avisado por Bolsonaro sobre suspeita de irregularidade

Controladoria-Geral da União afirmou não ter encontrado evidências de sobrepreço na compra do imunizante

Erick Motta, do Band Notícias 29/07/2021 • 22:33 - Atualizado em 29/07/2021 • 23:16

Eduardo Pazuello prestou depoimento nesta quinta-feira (29) à Polícia Federal sobre as suspeitas de irregularidades nas negociações de compra da vacina indiana Covaxin. O ex-ministro da Saúde disse que não recebeu um pedido oficial de Jair Bolsonaro para investigar a denúncia, mas que foi avisado “verbalmente” pelo presidente.

Ainda no depoimento, ele disse ter repassado as denúncias ao então secretário executivo da pasta Élcio Franco.

Já a Controladoria-Geral da União afirmou não ter encontrado evidências de sobrepreço na compra do imunizante indiano. Em coletiva no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (29), o ministro Wagner Rosário afirmou que a auditoria que foi aberta para apurar supostas irregularidades no contrato não detectou anormalidades nem no preço, nem nos prazos processuais.

Mas as apurações apontam fraude em documentos sobre a idoneidade da Precisa Medicamentos, em procuração que autorizaria a empresa a representar a Bharat Biotech, fabricante da vacina, no Brasil. A empresa indiana divulgou um comunicado rompendo a relação comercial com a Precisa, dizendo que não reconhecia documentos enviados por ela ao Ministério da Saúde.

Segundo Rosário, a primeira e única proposta do imunizante foi de US$ 15. “A primeira e única proposta do contrato é de 15 dólares. Inexiste aumento de mil por cento. Inexiste também qualquer proposta de 10 dólares”, afirmou.

Mesmo assim, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que o acordo com a Precisa será oficialmente cancelado.

A empresa está na mira da CPI da Pandemia, que retoma os trabalhos na próxima semana com o fim do recesso parlamentar. O sócio da Precisa, Francisco Maximiano, é esperado para depor na próxima quarta (4). Contudo, ele viajou para a Índia e fez pedido ao Supremo Tribunal Federal para não ser obrigado a comparecer à sessão. Os senadores estudam se vão forçá-lo a comparecer.

As suspeitas no contrato da Covaxin foram levantadas após os irmãos Miranda alegarem pressões para a assinatura da compra de 20 milhões de doses do imunizante indiano. O deputado Luis Miranda (DEM-DF) contou ter levado as denúncias ao presidente Jair Bolsonaro, mas que nada foi feito.

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