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PF diz que não houve mandante nos assassinatos de Dom Phillips e Bruno Pereira

Segundo as investigações, mais pessoas podem ter participado da execução do jornalista e do indigenista

Da Redação 17/06/2022 • 11:05 - Atualizado em 17/06/2022 • 13:56
Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips foram mortos no Vale do Javari
Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips foram mortos no Vale do Javari
Reprodução/BandNews

A Polícia Federal disse nesta sexta-feira (17) que os assassinos de Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira “agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito". Segundo nota da PF, as investigações indicam que mais pessoas podem ter participado da execução do jornalista britânico e do indigenista brasileiros, que desapareceram no dia 5.

Dois suspeitos foram presos e, segundo a Polícia Federal, um deles confessou o crime. Restos mortais que podem ser de Phillips e Pereira foram levados para perícia em Brasília.

A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) rebateu a nota emitida pela PF. O comunicado da PF diz que “não há mandante ou organização criminosa” por trás do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips.

“A Univaja não concorda com o desfecho da Polícia Federal que afirma não haver mandante para o crime que culminou na morte de Dom e Bruno", disse a entidade indígena em nota.

Novas prisões

Agora, a polícia tenta descobrir os motivos para o crime e se há alguma relação com pesca ilegal pirarucu na região do Vale do Javari. Novas prisões podem ser feitas a qualquer momento.

"É um trabalho de inteligência, silencioso e muito diferente desse das buscas onde vocês nos viram de forma ostensiva, com embarcações e aeronaves", afirmou Eduardo Alexandre Fonte, superintendente da Polícia Federal no Amazonas.

A Polícia Federal busca pelo barco utilizado pela dupla assassinada na Amazônia. A embarcação também pode ser importante para o resultado dessa perícia.  

De acordo a Polícia Federal, já se sabe onde a embarcação está. As informações são de que foram colocados sacos de terra para afundá-la, após o motor ter sido retirado.  

"Apesar de um ter negado a prática, nós temos provas a seu desfavor e nos temos sim indícios da prática de outra pessoa que estamos investigando", disse Eduardo Alexandre.

Em nota enviada à imprensa nesta quinta, a Polícia Federal afirmou que  as amostras de material coletados no barco de Amarldo da Costa, o "Pelado", não são de Dom Phillips.  

Já para a possibilidade de serem de Bruno, o resultado é inconclusivo e serão necessários exames complementares. "O processo de identificação de remanescentes humanos deve ser concluído na próxima semana".

Veja a íntegra da nota da PF

“O Comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal/AM, informa que hoje, 17 de junho, as buscas pela embarcação utilizada por Bruno Pereira e Dom Phillips continuam, contando, inclusive, com o apoio dos indígenas da região e dos integrantes da UNIJAVA. Informa, também, que as investigações prosseguem e há indicativos da participação de mais pessoas na prática criminosa. As investigações também apontam que os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito. Por fim, esclarece que, com o avanço das diligências, novas prisões poderão ocorrer.”