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Polícia Civil prende suspeito de incendiar estátua de Borba Gato em São Paulo

Investigadores identificaram o motorista do caminhão que conduziu parte do grupo de manifestantes até o local, em Santo Amaro, na zona sul da capital

Da Redação, com BandNews FM 25/07/2021 • 11:54 - Atualizado em 25/07/2021 • 15:11
Estátua de Borba Gato foi incendiada em Santo Amaro, zona sul da capital
Estátua de Borba Gato foi incendiada em Santo Amaro, zona sul da capital
Gabriel Schlickmann/iShoot/Folhapress

A Polícia Civil de São Paulo prendeu um dos suspeitos no ato de vandalismo contra a estátua do bandeirante Borba Gato, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Os investigadores identificaram o motorista do caminhão que conduziu parte do grupo de manifestantes até o local e transportou os pneus. A placa do veículo havia sido adulterada. 

Segundo o governo paulista, as investigações prosseguem para identificar e localizar os demais autores da ação.

Os manifestantes bloquearam a avenida Adolfo Pinheiro, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, no início da tarde de sábado (24) para incendiar a estátua do Borba Gato. Segundo informações da Polícia Militar, um grupo de homens desceu de um caminhão, ateou fogo em pneus na base da estátua e fugiu.

O Corpo do Bombeiros controlou as chamas. O cruzamento da Adolfo Pinheiro com a Rua Bela Vista chegou a ser interditado e o trânsito na região acabou desviado.

Um grupo chamado “Revolução Periférica” assumiu a autoria do incêndio na estátua, com fotos e vídeos nas redes sociais. A motivação, segundo eles, foi "protestar contra a homenagem a um bandeirante conhecido pelo papel de promover a escravidão de negros e indígenas".

Quem foi Borba Gato?
 

Manuel de Borba Gato (1649-1718) é um dos bandeirantes mais conhecidos por expedições ao interior do Brasil em busca de ouro e outras riquezas e atuante em conflitos como a Guerra dos Emboabas (1707-1709), contra a cobrança de impostos sobre o ouro por parte da coroa portuguesa. Também foi genro de outro bandeirante, Fernão Dias.

O escritor Alcântara Machado, em sua obra “Vida e Morte do Bandeirante” (1929), revelou que para além do espírito aventureiro e desbravador, bandeirantes matavam ou escravizavam indígenas e negros, estupravam mulheres e foram responsáveis pelo genocídio de algumas etnias durante suas incursões pelo interior, versão defendida também por vários historiadores.

A estátua foi inaugurada em janeiro de 1963 e foi criada pelo escultor Júlio Guerra, que demorou seis anos para concluir sua obra, que tem 13 metros de altura no total e fica localizada no bairro de Santo Amaro, zona sul da capital.

Ela passaria a ser contestada e alvo de críticas e ataques por conta do passado bandeirante descrito por Machado. Existem movimentos que pedem a retirada da obra por conta de reparação histórica à memória dos povos indígenas subjugados pelos bandeirantes no período colonial.

Em 2016, a estátua já havia sido atacada e manchada com tinta.

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