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Polícia prende quarto suspeito da morte de Bruno Pereira e Dom Phillips

Gabriel Pereira Dantas estava na lancha de onde saíram os disparos, disse delegado

Da Redação 23/06/2022 • 10:48 - Atualizado em 23/06/2022 • 11:34

A polícia prendeu nesta quinta-feira (23), em São Paulo, o quarto suspeito, identificado como Gabriel Pereira Dantas, de envolvimento na morte de Bruno Pereira e Dom Phillips, no Amazonas. A informação foi dada em primeira mão a José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes, pelo delegado Roberto Monteiro, da Seccional do Centro.

"Ele estava junto na lancha voadora de onde foram disparados os tiros contra o ambientalista e o jornalista inglês, e depois ele ficou responsável por esconder os pertences das vítimas no meio da mata. Ele fugiu primeiro para Roraima e depois para São Paulo”, explicou o delegado. 

Corpos de Dom e Bruno

A Polícia Federal confirmou ontem que os corpos do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira serão entregues às famílias hoje. Segundo a nota da PF enviada à imprensa, os restos mortais estão previstos para deixar o aeroporto de Brasília por volta das 14h.

Segundo o comitê de crise criado para investigar os assassinatos, as perícias foram concluídas e confirmaram que os materiais encontrados na terra indígena do Vale do Javari, local da ocultação dos corpos, eram de Dom e Bruno.  

"As amostras biológicas apontaram a presença de 02 (dois) Perfis Genéticos distintos nos remanescentes humanos encontrados pela Perícia da Polícia Federal. Os resultados encontrados estão em consonância com as análises de Odontologia Legal, da Antropologia Forense e da Papiloscopia que apontaram tratar-se dos remanescentes de Dom Phillips e Bruno Pereira", disse a nota da Polícia Federal.

Investigação

As mortes de Dom e Bruno foram confirmadas 15 de junho, após o primeiro suspeito, Amarildo da Costa, o "Pelado", confessar o crime à Polícia Federal. Eles estavam desaparecidos desde o dia 5 de maio, segundo União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).  

Segundo as investigações, Dom e Bruno foram rendidos e mortos após registrarem a prática de pesca ilegal de pirarucu na região. Os corpos foram decepados, esquartejados, queimados e depois jogados em uma vala.  

Ainda naquela quarta-feira, após a indicação do local da ocultação dos corpos, "remanescentes humanos" foram encontrados pelas equipes de buscas. Os restos dos corpos chegaram a Brasília na quinta (16), onde foram periciados.  

A perícia apontou ainda que Dom Phillips morreu com um tiro no peito disparado por uma arma de caça. Já Bruno Pereira recebeu dois tiros, um no tórax abdômen e outro na cabeça. No domingo (19), a embarcação usada por Dom e Bruno durante a viagem ao Vale do Javari foi encontrada no Amazonas.  

Outros presos

Antes de Gabriel Pereira Dantas, havia três presos suspeitos pelo envolvimento nas mortes do jornalista e do indigenista. Amarildo da Costa Oliveira, o "Pelado", confessou o crime e indicou o local da ocultação dos corpos. Ele foi transferido para Manaus por medidas de segurança. 

Já seu irmão, Oseney da Costa, o "Da Costa", foi preso na semana passada e teria ajudado a esconder os restos mortais de Bruno e Dom. Jeferson da Silva Lima, o "Pelado da Dinha", por sua vez, se entregou à polícia no último sábado. Ambos estão presos temporariamente em Atalaia do Norte.

A polícia afirma que os assassinos agiram sozinhos e que não há mandantes. Agora, investiga se a pesca ilegal realizada na região era para abastecer o crime organizado e o tráfico de drogas na região.