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Preço do peixe registra alta; salmão sobe mais de 75%

O quilo do salmão subiu mais de 75% entre janeiro e maio deste ano na Ceagesp

Da Redação, com Rádio Bandeirantes 07/06/2021 • 10:16 - Atualizado em 07/06/2021 • 14:43

Com a alta da carne bovina, da carne de frango e dos ovos, o peixe também ficou mais caro, em especial o salmão. As informações são da Ana Paula Rodrigues, da Rádio Bandeirantes

No mercado, o preço assusta e não é para menos o quilo do salmão subiu mais de 75% entre janeiro e maio deste ano na Ceagesp, que tem a segunda maior feira atacadista de peixes da América Latina.

No entreposto, usado como fonte de abastecimento de feiras livres e restaurantes, a média do quilo chegou a R$ 52. No bolso do consumidor a média pode ser ainda maior: numa rápida pesquisa em supermercados, peças de 1 kg são facilmente encontradas a quase R$ 80.

Carlos Koji, proprietário de uma rede de restaurantes de culinária japonesa, fala que sentiu uma subida mais rápida dos preços nos últimos 3 meses. “É em torno de 40% [de alta no preço]. Eu não consigo repassar tudo, passo uns 15%, mas nem imagino ficar sem salmão ou diminuir a quantidade. Não tem como”, disse o empresário.

Matheus Nogueira é diretor de uma empresa de alimentação que abastece mais de 100 restaurantes em SP. Ele comenta que, com a alta do preço da carne bovina e do frango, aumentou a presença dos peixes nos cardápios, mas isso mudou nos últimos 2 meses.

“Com a alta, recentemente, da carne bovina, a gente colocou bastante peixe no cardápio, isso até dois meses atrás. Com a oferta e demanda consumindo mais cortes de peixe o preço vai elevar. O salmão antes eu pagava 38 reais, hoje está 44”, disse Nogueira.  

Segundo a Abipesca, Associação Brasileira da Indústria do Pescado, o aumento do preço está relacionado, em especial, à alta do custo da soja no mercado internacional, grão usado na ração dos peixes e que representa até metade do custo de produção.

Além disso, o Chile, principal exportador de salmão para o mundo, redução as vendas por causa da proliferação de algas nocivas em vários criadouros.

O economista da FGV André Braz comenta que esses fatores se juntam a alta da carne bovina, que aumenta a procura por alternativas de alimentação, como os peixes.

“A tendência no curto prazo é que continue assim. A medida que a carne bovina se sustenta em um patamar mais alto isso também vai puxando o preço de outras carnes. Há também a questão associada a oferta. Tem menos salmão no mercado, que os consumidores gostariam de encontrar e sem contar que peixes criados em confinamento também são intensivos em ração, que são derivadas de soja e milho, grãos que subiram muito de preço no mercado internacional”, explicou Braz. 

No levantamento feito pela Ceagesp a pedido da Rádio Bandeirantes, além do salmão, a pescada teve alta de até 111% e varia de R$ 6 a 23 reais o quilo. Entre os peixes que caíram, a redução do preço foi mais baixa, como no caso da sardinha, que caiu 13% e é cotada na média R$ 6,50 o quilo.

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