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"Em nenhum momento eu quis assediar aquela moça", diz médico e influenciador Victor Sorrentino

Sorrentino foi entrevistado com exclusividade nesta sexta-feira (11) no 1º Jornal

Da Redação, com 1º Jornal 11/06/2021 • 04:28 - Atualizado em 11/06/2021 • 09:09

O médico Victor Sorrentino, que foi detido no Egito por ofender uma mulher com palavras de cunho sexual, foi entrevistado com exclusividade nesta sexta-feira (11) no 1º Jornal. Na conversa com o apresentador JP Vergueiro ele pediu perdão e falou sobre ameaças de morte que vem recebendo pela internet. 

“Nosso retorno foi bastante tenso e complicado. A minha família foi ameaçada e eu fui ameaçado é uma desproporção muito grande, porque independente do equívoco, do erro e das palavras erradas que tenha utilizado eu fui perdoado pela moça mais de uma vez”, disse Sorrentino. 

O médico falou que reconhece o “erro de palavras usadas equivocadamente em uma brincadeira infeliz e infantil que fiz”. Ao ser questionado, por usar o termo “brincadeira” pelo apresentador JP Vergueiro, o influenciador disse que não é e nunca foi um homem machista e nem xenofóbico. 

“O que sai de dentro do Victor é uma brincadeira. Ela pode ter sido classificada de diversas formas, é uma brincadeira de mal gosto, infeliz e que eu não tinha direito de fazer. No primeiro dia que eu estava no Egito em um ambiente de amigos junto com outras pessoas que já estavam fazendo brincadeiras”, disse. 

O médico reconheceu que apesar do contexto isso não justifica o erro, mas que compreendido “não vira os 15 segundos editados e manipulados no sentido de o médico bolsonarista, o médico machista. Eu nunca fui”.

Ao explicar como conseguiu gravar o vídeo em que pede desculpas a vendedora, ele falou como foi sua detenção. “Eu saí de lá sem nenhum processo aberto contra mim, em nenhum momento eu tive a palavra ‘você está preso’ e ‘você foi condenado’. A palavra seria detido para investigações”.

Pedido de desculpas

Sorrentino falou que gravou um primeiro vídeo com pedidos de desculpas ainda enquanto passeava pelo país, mas que deixou apenas por um tempo em sua rede social. Ele gravou um segundo vídeo, em que fez a pedido da investigação, que chamou a vendedora para saber se o primeiro vídeo feito tinha sido sincero.

“A investigação a chama para ver se realmente havia veracidade naquele primeiro vídeo, naquela desculpa que eu pedi e ela aceitou prontamente. Ela confirmou e não foi aberto então o processo. Esse foi o último passo que eles fizeram porque antes disso fizeram uma varredura na minha vida e na minha estadia no Egito”, contou. 

Quando questionado se teria a mesma atitude em um outro país ou até mesmo aqui no Brasil e se acontecesse com algum familiar o médico disse que até entenderia o contexto e aceitaria desculpas “Não julgaria de uma forma tão pesada, algo que estamos, de certa forma acostumados a enxergar, por mais errado que seja, por mais errado que seja. É válido a reflexão de ‘vamos parar de brincar desta forma e parar de falar essas palavras erradas’, acho válido e não farei mais isso”.

Arrependimento

“É obvio que eu me arrependi. Eu prefiro enxergar meus erros e equívocos do que ficar sustentando uma posição irreal. O que fiz trouxe uma consequência muito pesada. Eu reitero aqui, não me preocupo com minha imagem, eu me preocupo com minha verdade”, disse.

Ameaças

“Se minha imagem for verdadeiramente uma imagem ruim, não tenho problema em assumir meus erros, mas trouxe consequências tão pesadas para a minha família, numa inquisição onde os acusadores também são os juízes que nem analisam o contexto, que o arrependimento teria vindo mesmo se eu estivesse certo. As pessoas se apegam a 15 e 20 segundos sem querer saber nada da sua integridade”, explicou ao falar sobre a repercussão do caso.

Sobre as ameaças e ataques que recebeu nas redes sociais ele relatou o que viu. “Coisas inimagináveis. Ameaça de morte vinda até de pessoas de grupos que defendem os direitos humanos. Meu filho realmente ficou um tempo sem dormir bem percebendo o estado da mãe. A angústia ainda ficou, vejo muitos xingamentos”, contou. 

Ele falou que as pessoas apesar do que aconteceu ainda seguem o atacando. “Não querem saber sobre as desculpas da moça, de eu ter sido inocentado, voltado com o passaporte em mãos. A essas pessoas só interessam julgar, criminalizar, etc, principalmente porque eu sou uma pessoa conservadora e deixo clara as minhas posições, apesar de respeitar qualquer pessoa”.

Assédio sexual verbal

Quando questionado sobre se o que aconteceu pode ser classificado como assédio sexual verbal, ele se defendeu novamente. “Em nenhum momento quis assediar a moça. Teve dentro do meu coração um tom de brincadeira, e ela mesma reconheceu isso. Não consigo aceitar essa palavra sendo enquadrada no meu caso”, disse. 

Posição política 

“A lição que fica é que o Brasil perde, em parte, um guerreiro aqui, pois eu sou uma pessoa que defendo muito abertamente minhas posições políticas e econômicas. Infelizmente não posso mais colocar esse tipo de colocação. Não há liberdade de expressão, por conta dessa inquisição nas redes sociais. Vou me recolher nas minhas posições políticas. A lição que eu posso passar para as pessoas é pedir que passem a enxergar as coisas com a mesma régua, e que possam pensar na palavra perdão se quiserem ser perdoadas. 

Trabalho 

O médico disse que já retomou suas atividades de trabalho. “Passei alguns dias de quarentena, até porque estamos numa pandemia, mas agora já voltei. Eu e minha família já estamos todos bem”, contou.

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