Moises Rabinovici

Rabino: EUA apresentam projeto de cessar-fogo com libertações de reféns na ONU

Por Moises Rabinovici

Rabino: EUA apresentam projeto de cessar-fogo com libertações de reféns na ONU
Reuters

Os Estados Unidos apresentaram um projeto de “cessar-fogo imediato vinculado à libertação de reféns” ao Conselho de Segurança da ONU, depois de ter vetado três outros anteriores sob alegação de que atrapalhavam as negociações entre Israel, Catar, Egito e Hamas. A resolução pode ser votada nesta quinta-feira.

O secretário americano Antony Blinken, que está no Egito, espera o apoio de outros países à resolução dos EUA, porque “isso enviaria uma forte mensagem, um sinal forte”. Qual mensagem, ou sinal? O mais óbvio é o descolamento entre o presidente Joe Biden e o premiê Benjamin Netanyahu.

Ainda não há uma ruptura entre os históricos aliados, Estados Unidos e Israel, mas muitos desentendimentos. Em campanha para permanecer na Casa Branca, Biden está contra a invasão a Rafah pretendida por Netanyahu, avaliada em centenas de mortos civis, se não for uma operação cirúrgica. Pediu para ver os planos preparados pelos militares israelenses e os receberá, com uma delegação enviada especialmente de Telavive, na semana que vem.

Outro impasse entre Biden-Netanyauh é sobre o futuro dos palestinos, acabada a guerra. A solução de dois estados é a proposta americana, rejeitada pelo governo israelense. Os dois também discordam sobre a distribuição de ajuda humanitária, com os EUA criticando Israel, que “poderia fazer bem mais”. Os sintomas do novo relacionamento entre os dois países são visíveis: um relatório da CIA prevendo a queda de Netanyahu recebeu luz verde para ser publicado. Biden elogiou o discurso do líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, um defensor de Israel, no qual disse que Netanyahu “é um obstáculo para a paz. ” Mais grave ainda seria, se confirmado, o início de restrições para o rearmamento de Israel. Outro grave impasse é a colonização que continua na Cisjordânia, considerada ilegal.

O secretário Blinken deve visitar Israel depois de suas visitas à Arábia Saudita e ao Egito. Para ele, as negociações no Catar, para uma trégua com troca de reféns por prisioneiros, estão “cada vez mais próximas”. Pode ser uma miragem, comum no deserto da Terra Santa.

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