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Guerra e paz progridem juntas, em Gaza

Por Moises Rabinovici

Guerra e paz progridem juntas, em Gaza
REUTERS/Amir Cohen

As negociações para um cessar-fogo e libertação de reféns com o Hamas recomeçaram no Catar, nesta quarta-feira, e as tropas israelenses pediram aos palestinos que abandonem a Cidade de Gaza, imediatamente, porque ela “será uma zona de combate perigosa”. Explica o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant:

“A pressão militar criou condições que permitem o progresso do acordo. A instituição de defesa sabe como parar e retomar os combates em qualquer lugar de Gaza, de acordo com o necessário. Devemos aproveitar a pressão militar para levar o acordo adiante e não perder essa oportunidade”.

Um míssil que mirava um terrorista do Hamas, num acampamento no sul de Gaza, acabou matando 29 palestinos, a maioria mulheres e crianças. Israel não identificou o alvo que caçava, nem se o matou. Os panfletos orientando os deslocados a novos deslocamentos provocaram uma resposta da Jordânia e do Egito, que denunciam que “uma linha vermelha” foi violada pelo exército israelense.

Mais de 38.295 palestinos foram mortos na guerra de nove meses em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. E mais de 88 mil ficaram feridos. O balanço não distingue combatentes e civis. Para o ministro da Defesa Gallant, Israel matou ou feriu 60% das forças do Hamas e “desmantelou 25 batalhões ou a grande maioria deles”.

A delegação israelense para as negociações de um acordo de cessar-fogo e troca de reféns por prisioneiros palestinos desembarcou nesta quarta-feira em Doha, no Catar, chefiada pelo chefe do Mossad, David Barnea. Essa nova fase está sendo considerada “decisiva”, diante de concessões feitas pelo Hamas. O jornal Haaretz diz ter ouvido de altos funcionários do governo de Israel que, se nem o primeiro-ministro Netanyahu, e nem o líder do Hamas, Yahya Sinwar, sabotarem, um acordo final está próximo.

Em compensação, a coalização de Netanyahu deverá implodir, com a saída de dois de seus partidos, Otzama Yehudith (Poder Judeu) e Religious Zionism (Sionismo Religioso). O Likud diz, porém, que ambos os seus líderes, os ministros Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, não abandonarão o governo. Eles sabem que não seriam reeleitos se convocadas novas eleições antecipadas em Israel.

Um líder da oposição, Benny Gantz, disse nesta quarta-feira que “é hora de cobrar um preço dos alvos militares e da infraestrutura do Líbano” por causa dos mísseis diários do Hezbollah contra o norte de Israel. Na terça-feira, um casal civil, viajando em seu carro, foi morto pelo impacto direto de um míssil. A defesa antiaérea não o detectou porque ele se dirigia para um “campo aberto”, como a estrada é considerada desde que a população do norte foi evacuada para o sul. Nesta quarta-feira, mais uma saraivada de mísseis de 20 mísseis foi disparada. Na semana passada, a aviação israelense rompeu a barreira do som sobre Beirute, lembrando aos libaneses a destruição do Líbano durante a guerra civil e a invasão de Israel de 1982.

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