Notícias

'Revolta das sardinhas': fenômeno de apostas contra investidores chega ao Brasil

Da Redação, com Jornal da Band 29/01/2021 • 23:21

Investidores brasileiros tentam replicar um fenômeno que surgiu nos Estados Unidos. Uma aposta coletiva arriscada contra gigantes do mercado financeiro. A chamada “revolta das sardinhas” ganhou uma versão brasileira. As informações são do Jornal da Band.

No movimento que começou nos Estados Unidos, as “sardinhas”, como são chamados os investidores de varejo, impuseram prejuízos bilionários aos “tubarões” (os grandes investidores) de Wall Street.

Por meio de um fórum em uma rede social, pequenos investidores se uniram para comprar ações de uma loja de jogos muito popular entre os norte-americanos: a Game Stop, espaço físico para venda de games e acessórios. Os grandes fundos apostavam na queda dos papeis da rede varejista, e os usuários se mobilizaram contra a tendência em um fórum de internet.

“Eles acreditam que a ação vai cair, e eles querem ganhar com a queda dessas ações. Um dos jeitos de fazer isso é via ‘venda descoberto’. O fundo aluga uma quantidade de ações, vamos supor que essas ações valem R$ 20, então ele as aluga. Uma quantidade x de ações que não são dele, vende por esses R$ 20, Aí quando a ação caí, por exemplo, para R$10, ele compra essas ações de volta para devolver pra quem alugou. Então, ele acabou ganhando com essa queda das ações. O problema é que quando isso não acontece, o preço sobe em vez de cair, e esse fundo vai ter que comprar ao preço que está para devolver as ações que ele alugou”, explica Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos. 

Esse movimento chegou ao Brasil. Nas redes sociais e em aplicativos de troca de mensagens, investidores estão se organizando para discutir estratégias e replicar o fenômeno game stop por aqui. 

Em apenas um dia, um chat no aplicativo de mensagens Telegram reuniu cerca de 40 mil participantes. Entre as discussões, enquetes do que eles iriam fazer com as ações de uma determinada empresa nesta sexta-feira (29): retirar do aluguel, comprar mais, vender, manter, ou comprar opções.

Uma das mensagens diz: CPFs (investidores individuais) versus “tubas” (tubarões, os grandes do mercado financeiro) e determina um horário para a compra. No pregão da última quinta-feira, os papéis da companhia subiram 17%. Nesta sexta, fecharam em queda de 5,6%. 

A Comissão de Valores Mobiliários, que regulamenta o mercado financeiro, alertou que ações com o objetivo deliberado de influir no funcionamento do mercado podem caracterizar ilícitos administrativos ou até crime.

“O mercado deve se pautar por fundamentos. Uma empresa vai bem, o mercado reage de uma forma. A empresa vai mal, a empresa reage de outra forma. Mas não com um grupo se juntando para fazer isso ou aquilo. Esse tipo de movimento tem que ser coibido porque isso acaba afastando o investidor normal, o investidor de longo prazo, e torna uma situação especulativa que não convém a ninguém”, opina Álvaro Bandeira, ex-presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

“É uma movimentação arriscada. Então, a ação está subindo não porque a empresa é boa, mas porque está acontecendo algo disfuncional, a qualquer momento pode acabar. E isso pode machucar o bolso de muitas pessoas”, alerta Betina.