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Saiba quem eram Dom Phillips e Bruno Pereira, assassinados no AM

Irmãos confessaram o crime à Polícia Federal nesta quarta-feira (15)

Cleber Souza 06/06/2022 • 17:10 - Atualizado em 16/06/2022 • 15:55

Após 11 dias de buscas, foi confirmado que o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian foram mortos na Amazônia. A confissão foi feita pelos dois principais suspeitos, segundo informou a Polícia Federal durante coletiva de imprensa realizada na noite desta quarta-feira (15). 

Segundo as investigações Dom e Bruno foram rendidos e mortos pelos irmãos Oseney da Costa, conhecido como "Da Costa", e Amarildo dos Santos, o "Pelado". Os corpos foram decepados, esquartejados e queimados, e depois jogados em uma vala na terra indígena Vale do Javari, no Amazonas.

"Pelado", inclusive, foi quem indicou à polícia o local onde os corpos foram ocultados. Agora, a polícia investiga a motivação do crime, que pode estar ligada à prática de pesca ilegal de pirarucu na região.

A Polícia Federal ainda investiga se a pesca ilegal era feita para abastecer o tráfico de drogas na região, segundo apuração do jornalistas Valteno de Oliveira e Yan Boechat, da BandNews.  A PF ainda não descarta a participação de uma terceira pessoa na morte de Dom e Bruno. Novas prisões podem ser feitas a qualquer momento.

As vítimas desapareceram no dia 5 de junho, quando se preparavam para visitar uma comunidade indígena na região Vale do Javari, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). 

Ainda segundo entidade, eles teriam retornado ao rio para chegar até Atalaia do Norte. A viagem não deveria ter levado mais de três horas, mas um grupo de busca independente foi enviado por volta das 14h, depois que eles não chegaram.

Afinal, quem eram Dom Phillips e Bruno Pereira, e o que ele estavam fazendo na Amazônia? Confira abaixo: 

Quem era Dom Phillips?

Veterano de cobertura internacional, Phillips morava no Brasil há mais de 15 anos. Como jornalista, foi colaborador de veículos de imprensa como The Washington Post, New York Times e Financial Times. Ele era repórter freelancer do jornal The Guardian.  

Segundo o jornal onde trabalhava, ele era conhecido por seu amor pela região amazônica e viajou ao local para relatar a crise que o meio ambiente do Brasil e suas comunidades indígenas estão enfrentando.

Além da cobertura jornalística, Dom esta produzindo um livro sobre o meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson, sediada na Bahia, estado que Dom morava com sua família.

Quem era Bruno Araújo Pereira?  

Bruno Araújo Pereira era servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai) e reconhecidamente defensor das causas indígenas.

Segundo a nota do grupo indígena Univaja, o ativista foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte e era “experiente e profundo conhecedor da região". Em 2016, o servidor deixou o cargo.

Em 2018, se tornou coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai, chefiando a maior expedição para contato com índios isolados dos últimos 20 anos.

No entanto, foi exonerado do cargo em outubro de 2019. Conforme a Univaja, nos últimos anos, Bruno atuava na sede do órgão, em Brasília.

Onde Dom e Bruno estavam indo?

Dom e Bruno partiram de barco para uma região conhecida como Lago do Jaburu. A previsão é que eles chegassem ao seu destino na noite do dia 3 de maio.

No entanto, eles não retornaram, e foi confirmado que ambos foram mortos no local do desaparecimento.