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SP 468: paulistanos famosos que fazem aniversário no mesmo dia em que a capital

Neste 25 de janeiro, a capital paulista completa 468 anos, mas outras figuras ilustres da cidade também "assopram velinhas" nesta terça (25)

André Vieira, do Metro Jornal 25/01/2022 • 07:49 - Atualizado em 25/01/2022 • 10:34
Bolo para homenagear SP foi feito pelo ateliê Le Doceria, @le.doceria, para o Metro Jornal
Bolo para homenagear SP foi feito pelo ateliê Le Doceria, @le.doceria, para o Metro Jornal
Ateliê Le Doceria e André Vieira/Metro Jornal

O aniversário de uma cidade é sempre um motivo para fazer inaugurações, seja pelo poder público, para embalar as obras e serviços como um presente para a população, seja pelo setor privado ou outras iniciativas, que pegam carona na data. Neste 25 de janeiro, São Paulo completa 468 anos de sua fundação e o Metro Jornal aproveita para te contar a história de outros “queridos paulistanos” que também fazem aniversário hoje.

São Paulo Futebol Clube – 1930

Adivinha em que dia foi fundado o mais novo entre os grandes times do futebol brasileiro? Em 25 de janeiro, é claro. Foi nesse dia, no ano de 1930, que dissidentes do Club Athlético Paulistano e da Associação Athlética das Palmeiras se reuniram na praça da República para criar o seu próprio time, o São Paulo Futebol Clube

A ideia de fundar a agremiação já estava sendo alimentada há algum tempo e ganhou o empurrão definitivo quando o Paulistano anunciou que não participaria mais de competições de futebol. Apenas dois anos depois, em 1932, o Tricolor já levantava o seu primeiro título ao conquistar o Campeonato Paulista, abrindo as portas para os troféus de Brasileiros, Libertadores e Mundiais que vieram com o passar das décadas. 

Mas há um importante capítulo antes disso tudo. Ainda nos anos iniciais, o São Paulo entrou em uma grave crise política. Por conta desses conflitos, o clube deixou de existir, em maio de 1935, até ser refundado em 16 de dezembro do mesmo ano. Durante muito tempo, essas duas datas de fundação provocaram polêmicas dentro do próprio Tricolor sobre qual seria a oficial. A questão foi encerrada em 2013, quando o clube reconheceu, de forma solene e clara, o ano de 1930 como o seu marco inicial.

Mercadão – 1933

“O dia de São Paulo é como que, espiritualmente e culturalmente, o dia do Brasil.” Foi com essa declaração que o interventor federal do estado (o que hoje seria o governador), Valdomiro de Lima, inaugurou em 1933 aquele que viria a ser o mais conhecido dos mercados municipais da capital, o Mercadão. 

Localizado na região central e também nascido em 25 de janeiro, o prédio do Mercadão começou a ser construído oito anos antes e foi projetado pelo escritório do importante arquiteto Ramos de Azevedo. 

Decorado por lindos vitrais, o Mercadão rapidamente se tornou um polo gastronômico da capital, com suas barracas de frutas, embutidos, carnes, temperos, grãos, bebidas e, é claro, o seu icônico sanduíche de mortadela. 

Mas nem tudo foi saboroso na história desse cartão-postal, que sofreu com o abandono das instalações e a degradação do seu entorno. Concedido pela prefeitura desde abril do ano passado, o Mercadão agora está sob administração de um consórcio privado, que promete modernizar e revitalizar o espaço frequentado diariamente por 50 mil pessoas.

Vídeo: São Paulo, 468 anos de fundação da “cidade de todos”

Catedral da Sé – 1954

Tudo bem que a história nos conte que a primeira igreja na região da Sé começou a ser feita em 1598 e que os templos foram sendo demolidos e reconstruídos até o começo do século 20, mas a Catedral da Sé como conhecemos hoje, com seus belos traços neogóticos, só foi inaugurada nas comemorações dos 400 anos da capital, em 25 de janeiro de 1954. 

A vontade de se erguer um templo mais imponente se tornou necessidade a partir 1745, quando São Paulo deixou de fazer parte da Igreja do Rio de Janeiro e ganhou a sua própria diocese. 

Construída nos anos seguintes, a “velha Sé”, como era chamada, cumpriu essa função até 1911, quando foi derrubada. Com o alargamento da praça, veio a ideia de se fazer uma igreja ainda maior. 

As obras começaram já em 1912, mas atrasaram muito em função da falta de dinheiro e das duas guerras mundiais, que prejudicaram a importação de materiais. Ainda assim, a catedral ficou pronta para o quarto centenário, mas foi inaugurada com as duas torres inacabadas. 

Depois de um longo período sem grandes manutenções, a Sé foi fechada para reforma em 1999 e reaberta em 2002. O subterrâneo da igreja guarda uma cripta, que é mais velha do que a própria catedral e foi inaugurada em 1919. É lá que estão os restos mortais de Tibiriçá, o cacique que mandava nessas terras antes da chegada dos jesuítas e que é considerado o primeiro paulistano.

Metrô da Paulista – 1991

Avenida que é o coração de São Paulo, a Paulista também deu um jeito de ficar mais perto da capital nesta data querida. Foi nas comemorações do aniversário da cidade em 1991 que foram inauguradas as suas três estações de Metrô (Brigadeiro, Trianon-Masp e Consolação). 

Com o prazo se esgotando, foi preciso correr com os acabamentos para que a entrega pudesse coincidir com o aniversário. E nem tudo ficou pronto. Na estação Consolação, onde foi descerrada a placa, só uma das três escadas rolantes estava funcionando. 

Sem controle de acesso e com viagens gratuitas no primeiro dia, a estação ficou lotada e os políticos tiveram de discursar em um palanque improvisado. 

Embora planejadas desde os anos 1970, as estações só chegaram quase duas décadas depois – quando a demanda por um transporte de massa na região já era urgente – e ajudaram a moldar parte do espírito que a avenida Paulista tem hoje: de grande palco da diversidade, da cultura, do lazer e das manifestações em São Paulo. 

E a cidade de São Paulo? Por que 25 de janeiro?

Comandante da primeira expedição de colonização do Brasil, o nobre português Martim Afonso de Sousa fundou a Vila de São Vicente, no litoral paulista, em 22 de janeiro de 1532. 

Quando desembarcou, já era esperado em terra por uma comitiva que incluía João Ramalho, um português de origem incerta, mas que já vivia há 20 anos entre o planalto e o litoral, e o seu sogro Tibiriçá, o cacique da aldeia de Piratininga. Piratininga, que quer dizer “peixe seco”, era como os índios chamavam a região que ficava no topo da serra, na confluência dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, que dias depois Martim Afonso foi visitar. 

Mais de duas décadas depois, foi essa mesma área que um grupo de jesuítas, entre eles Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, escolheu como local para erguer um colégio para catequizar os índios. 

Os religiosos já estavam por aqui desde agosto de 1553 quando, no ano seguinte, decidiram rezar uma missa em homenagem ao dia da conversão de Paulo de Tarso, celebrada pelos católicos em 25 de janeiro. É essa missa que marca oficialmente a fundação da cidade de São Paulo. 

São Paulo, o santo, era um judeu convertido que ajudou a expandir o cristianismo pelo mundo pregando para os gentios, designação da Igreja para se referir aos pagãos – ou os índios, nas visão dos jesuítas, daí a homenagem.

Assista aos especiais do Band Jornalismo sobre pontos famosos de São Paulo: