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Ucrânia encerra resistência e entrega Mariupol à Rússia

Tomada da cidade portuária é considerada estratégica

Da Redação, com agências 17/05/2022 • 09:06 - Atualizado em 17/05/2022 • 09:30

O Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia confirmou em comunicado nesta terça-feira (17) que está retirando suas tropas da usina siderúrgica de Azovstal, último ponto de resistência ucraniana em Mariupol. 

Com isso, depois de meses de bombardeio, a cidade portuária passa a ser controlada pela Rússia. A perda de Mariupol é considerada uma derrota significativa para a Ucrânia.  

“A guarnição Mariupol cumpriu sua missão de combate”, diz o comunicado. “O comando militar supremo ordenou aos comandantes das unidades em Azovstal que salvem a vida do pessoal”, completou. 

O comunicado informa que 53 soldados feridos foram levados da usina para um hospital na cidade de Novoazovsk, também controlada pela Rússia. Outras 211 pessoas foram levadas para Olenivka, sob domínio de separatistas apoiados pelo Kremlin. 

Em vídeo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que os sobreviventes estão recebendo cuidados. “Esperamos poder salvar a vida dos nossos homens”, disse. “Há feridos graves entre eles. Eles estão recebendo cuidados. A Ucrânia precisa dos seus heróis ucranianos vivos”, afirmou.  

A tomada de Mariupol é considerada estratégica. Além de ter saída para o Mar Negro, a conquista da cidade dá a Moscou uma ponte terrestre para a Península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. 

Mariupol mudou rumo da guerra

Os defensores da cidade ucraniana de Mariupol mudaram o rumo da guerra com a Rússia, tendo resistido durante 82 dias, disse, nesta terça-feira, o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podolyak.

Podolyak acrescentou em declarações à TVs que as negociações para a retirada de mais pessoas da siderúrgica Azovstal, o último bastião da defesa ucraniana, são difíceis, mas que há esperança de que venham a ser bem-sucedidas.

Tratamento humanitário

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta terça-feira que os combatentes ucranianos que se renderam na fábrica siderúrgica Azovstal, em Mariupol, serão tratados "de acordo com os padrões internacionais". Acrescentou ainda que o Presidente russo, Vladimir Putin, pretende garantir que tais normas são cumpridas.

O Ministério da Defesa da Rússia revelou, na última terça-feira (10), que mais de 250 combatentes ucranianos escondidos na fábrica siderúrgica Azovstal de Mariupol haviam rendido após mais de oitenta dias sob cerco russo, com bombardeamentos e ataques por terra constantes.