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Ministro da CGU chama Tebet de "descontrolada", causa confusão na CPI e vira investigado

Wagner Rosário era questionado sobre investigação do órgão no caso Covaxin; ele passou para a condição de investigado

Da Redação, com BandNews TV e Jornal da Band 21/09/2021 • 17:14 - Atualizado em 21/09/2021 • 20:36

A parte final da sessão da CPI da Pandemia, nesta terça-feira (21), foi marcada por uma grande discussão entre o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, e os senadores. Rebatendo fala de Simone Tebet (MDB-MS), ele falou que a senadora estava “descontrolada”, causando grande tumulto da testemunha com vários parlamentares.

Tebet acusou Rosário de atuar como “advogado do governo” na apuração de supostas irregularidades no contrato do Ministério da Saúde com a Precisa para o acordo da vacina indiana Covaxin, chamando o ministro de “engavetador” e “passa pano”. 

O ministro rebateu a fala da senadora falando em “série de inverdades” e que ela relesse o que ela havia dito. Após um breve bate-boca, o depoente disse que a senadora estava “totalmente descontrolada” após ela referir-se a ele como “menino mimado". (veja no vídeo acima)

Senadores de oposição ao governo e independentes saíram em defesa da senadora, com Otto Alencar chamando Rosário de “moleque” e "pau mandado". Outros senadores, como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) acusaram o ministro da CGU de machismo.

Após uma interrupção de cerca de 15 minutos, a sessão foi retomada e acabou pouco tempo depois. O presidente da comissão, Omar Aziz (MDB-AM), disse que Rosário passou da condição de testemunha para investigado.

“Essa é uma casa que não aceita desrespeito, não aceita arrogância, não aceita petulância e não aceita mentiras. Isso é muito importante deixar para os próximos que virão [à CPI]”, disse Tebet após a tumultuada sessão.

Senadores governistas criticaram a postura dos colegas, acusando as lideranças da CPI de tentar “controlar a narrativa” para intimidar Rosário, como pontuou Marcos Rogério (DEM-TO).

O depoimento

Questionado pelos senadores da oposição por omissão da Controladoria-Geral da União nas investigações supostas irregularidades, Rosário defendeu sua atuação e a do órgão

O ministro disse que não houve superfaturamento no contrato para a aquisição do imunizante indiano junto à Precisa. Ele disse que a CGU abriu auditoria sobre a negociação em 22 de junho, mas Omar Aziz disse que a previdência só foi tomada após exposição da CPI sobre o caso.

Rosário ainda disse que só não afastou Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, porque o caso envolvendo o ex-servidor só chegou ao órgão em agosto de 2020. Dias está envolvido em duas suspeitas de irregularidades: a primeira seria a pressão atípica sobre o servidor Luis Ricardo, irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF), para liberar a importação da Covaxin. A segunda é de que ele tenha pedido US$ 1 de propina por dose na compra de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca por parte da pasta. A denúncia foi feita pelo PM de Minas Gerais, Luiz Dominghetti, que seria também vendedor de imunizantes e de produtos médicos. Dias nega as acusações,

Houve vários momentos tensos antes do bate-boca no fim da tensão. Os senadores criticaram a postura e o tom de Rosário em meio às perguntas.

A senadora Simone Tebet acusou o ministro da CGU de “advogar em favor do governo”.

“Eu parabenizo o trabalho da CGU, mas não parabenizo o trabalho do ministro. Ele não poderia vir em uma coletiva com o ministro Queiroga, fazer uma defesa intransigente de um contrato irregular, que está em processo de investigação pela própria Controladoria-Geral da União. Esta omissão que foi apontada pelo senador Omar Aziz, eu assino embaixo”, disse.

Vídeo: Wagner Rosário se torna investigado na CPI