Rádio Bandeirantes

Sintonia restrita: o que faz o setor do PCC liderado por presos assassinados

Janeferson Aparecido, o Nefo, e Reginaldo Oliveira, o Rê, foram mortos no presídio de Presidente Venceslau; grupo monitorava autoridades e políticos

Da redação

O Primeiro Comando da Capital (PCC) executou dois líderes de um grupo interno da facção chamado de "sintonia restrita" dentro do presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, nesta segunda-feira (17).  

Janeferson Aparecido, o Nefo, e Reginaldo Oliveira, conhecido como Rê, foram mortos com objetos perfurocortantes fabricados pelos próprios detentos. Um deles foi morto no banheiro e outro no pátio da unidade prisional de segurança máxima.  

Eles faziam parte do comando do "sintonia restrita", um grupo interno do PCC que era responsável por planejar e executar sequestros e assassinatos de autoridades, políticos e policiais.  

O que é e como funciona o "sintonia restrita"

Em entrevista à Rádio Bandeirantes nesta terça-feira (18), o promotor de Justiça de São Paulo Lincoln Gakiya afirmou que o setor monitorava e planejava atentados e assassinatos de autoridades, políticos e policiais penais e federais em diversos estados. Entre eles, o senador Sergio Moro, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o próprio promotor Gakiya.

Este setor da facção também era responsável por planejar resgate de líderes do PCC, como Marcos Herbas Camacho, o Marcola.

"O setor foi criado dentro do PCC especificamente par assassinatos e atentados contra autoridades. Não é qualquer assassinato, não é por exemplo julgamento do tribunal do crime, para isso há outro setor. O resgate do Marcola estava sendo conduzido por eles, o plano para me assassinar e o atentado contra o senador Moro também era conduzido pela sintonia restrita", disse.

Segundo as investigações, Nefo e Rê eram os coordenadores do setor. Eles eram os responsáveis por disparar ordens e acompanhavam o andamento das missões dadas a outros integrantes do PCC.

"Eles não eram os executores, eram os líderes. Acreditamos que pelos assassinatos envolverem líderes desse escalão da facção possivelmente foi uma ordem externa que veio da cúpula do PCC", afirmou Gakiya.

Arthur Lira e Rodrigo Pacheco eram monitorados pela "sintonia restrita" 

As investigações que resultaram na prisão de Nefo e Rê revelaram que o setor do PCC monitorava o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. 

Apreendemos imagens da residência oficial de Arthur Lira e da residência oficial de Rodrigo Pacheco que estavam em poder desses dois indivíduos e de outros que faziam parte da sintonia restrita.

Ao ter acesso ao material, o promotor elaborou um relatório e entregou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.  

"Eu mesmo elaborei o relatório de inteligência e entreguei em mãos ao senador Pacheco informando que o setor de sintonia restrita estava monitorando tanto ele quanto o presidente Arthur Lira", disse Gakiya.

Assista a entrevista na íntegra

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