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Sete pessoas foram presas em operação contra a milícia de Zinho

Os agentes públicos forneciam informações privilegiadas para a quadrilha em troca de propina

Pedro Cardoni* 20/05/2022 • 14:40 - Atualizado em 20/05/2022 • 20:01
11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos agentes na casa dos investigados
11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos pelos agentes na casa dos investigados
Divulgação

Sete homens foram presos até o momento, durante uma operação contra integrantes da milícia e agentes da área de segurança ligados ao grupo criminoso nesta sexta-feira (20). Ao todo, 10 mandados de prisão preventiva e 11 de busca e apreensão são cumpridos.

Os alvos da operação são três policiais militares, seis agentes da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e um miliciano. Além disso, Ana Lucia da Costa Barros, uma delegada da Policia Civil e esposa de um dos investigados também é alvo de um mandado de busca e apreensão.

A investigação indica que os agentes da área de segurança repassavam informações privilegiadas sobre posicionamento de viaturas, investigações em andamento e para os membros da operação criminosa que domina a região de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é chefiada pelo miliciano Luiz Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho.

Entre os presos, estão os policiais militares Matheus Henrique Dias de França e Pedro Augusto Nunes Barbosa, e os agentes penitenciários André Guedes Benício Batalha, Alcimar Badaro Jacques, Ismael de Farias Santo e Wesley José dos Santos. Os investigadores ainda estão em busca do policial militar Leonardo Corrêa de Oliveira e dos policiais penais Edson da Silva Souza e Carlos Eduardo Feitosa de Souza. Os milicianos alvos da investigação Francisco Anderson da Silva Costa, conhecido como Garça ou PQD, e Luiz Bastos de Olive Ira Junior, conhecido como Pqdzinho, também estão foragidos.

AS INVESTIGAÇÕES

Os agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (DRACO/IE) com parceria da Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) começaram as investigações a partir da apreensão de armas, munições, caderno de anotações, aparelhos celulares e materiais relacionados a milícia na casa de Garça, em abril de 2021. Na época, a organização criminosa ainda era chefiada por Wellington da Silva Braga, conhecido como Ecko, que morreu em confronto com os policiais em junho do mesmo ano. Desde então, o líder da milícia passou a ser Zinho, irmão de Ecko.

Garça era um dos homens de confiança de Ecko e era responsável pela contabilidade do grupo. O homem comandava o dinheiro recebido pelas extorsões da milícia e também planejava o pagamento de propina aos agentes de segurança alvos da operação.

A operação está combinando as inteligências do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

*Estagiário sob supervisão de Stephanie Mendonça