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Negligência de bancos facilita roubos via PIX

Contas em nomes de laranjas permitem ação rápida de bandidos

Narley Resende 22/08/2021 • 22:10 - Atualizado em 23/08/2021 • 19:26
Assalto em São Bernardo do Campo (SP)
Assalto em São Bernardo do Campo (SP)
Reprodução

A falta de controle de bancos, que permitem a abertura de contas correntes em nomes de laranjas ou de vítimas de vazamentos de dados, facilita a ação de bandidos em assaltos com transferências rápidas de dinheiro via PIX. 

Os roubos com essa característica - cada vez mais comuns - dependem da negligência das instituições bancárias. 

A especialista em Proteção de Dados Janete Bach Estevão explica que bandidos usam dados de terceiros, muitas vezes vazados na internet, para abrir contas falsas.  

Ela cobra que os bancos sejam corresponsabilizados por permitirem a abertura dessas contas e pela demora no fornecimento de informações que permitam a identificação das pessoas que sacaram os valores roubados.  

"Foi uma conta autorizada pelo banco. Mesmo que seja de um laranja ou de um terceiro de boa-fé, que não saiba nem que essa conta tenha sido aberta no nome dele o banco tem a possibilidade de verificar a identidade, a veracidade, a autenticidade de quem está abrindo uma conta corrente. Então, essa é a grande falha de bancos permitirem que as contas sejam abertas” acusa.  

Sem que os bancos identifiquem as pessoas responsáveis pela abertura das contas, a especialista em Segurança de Ambiente Digital afirma que a única garantia seria estar sem o celular na hora do roubo.  

"Obviamente, que quando o bandido está junto da pessoa em uma situação de ameaça de violência, a pessoa não pode se negar a fazer uma transação como essa. Pra ser bem radical, eu, como especialista em segurança, acabei deixando todos os aplicativos de bancos em um celular que fica em casa. Não saio com ele na rua. Claro que é um custo maior, mas é o único jeito de não ficar vulnerável”, lamenta.  

Entre os casos de roubos envolvendo PIX está o de um motorista de aplicativo, que foi abordado na zona sul de São Paulo e NÃO tinha saldo para transferir para conta dos bandidos.  

Ele foi obrigado a ligar para contatos e exigir dinheiro.  

Um dos conhecidos do motorista chegou a transferir mil reais; um outro depositou 200 reais.

Ao tentar fugir, o motorista acabou baleado na perna por um dos bandidos.  

A polícia também procura pelo homem que matou um advogado durante um assalto em Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo.  

Rafael Ribeiro, de 46 anos, estava com o celular na mão no momento do assalto.  

A vítima reagiu, acabou baleada cinco vezes e morreu no local.

Bancos

A Federação Nacional dos Bancos afirma que as instituições melhoram constantemente a segurança dos sistemas de pagamento e investem R$ 25 bilhões anualmente para melhorar a proteção do sistema.

A Febraban disse ainda que os consumidores podem controlar o valor máximo de transferência do PIX e que atua em parceria com governos e policiais para coibir as ações criminosas.

A instituição não respondeu aos questionamentos da reportagem relacionados a aberturas de contas em nomes de laranjas e vítimas de vazamentos de dados. 

De São Paulo, Narley Resende