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Advogados de pai de Henry apontam padrão de vítimas e técnicas de tortura de Jairinho

Leonardo Barreto e Ailton Barros detalharam investigação policial do caso no Brasil Urgente

Da Redação, com Brasil Urgente 08/04/2021 • 18:36 - Atualizado em 08/04/2021 • 18:42

Advogados de Leniel Borel, Leonardo Barreto e Ailton Barros deram detalhes de depoimentos e da investigação policial que apura a morte do garoto Henry, de 4 anos, em entrevista para o Brasil Urgente desta quinta-feira (8). Eles acusam o vereador Doutor Jairinho de manter um modus operandi com Henry e outras vítimas que o acusam de tortura. E que ele usava técnicas para ocultar indícios de agressões. 

“O depoimento da menina que foi torturada [tinha 4 anos na época], ela relata os fatos e a mãe conta que somente veio a tomar conhecimento da totalidade do que aconteceu um ano após o namoro. Ou seja, ele usava técnicas de tortura para que ele batesse e fizesse as crianças sofrerem sem deixar marcas”, explicou Barreto, dizendo que o padrão foi repetido com Henry. 

Barros aponta que, na maioria das vezes, o vereador procurava por um padrão de mulheres humildes, as ajudava economicamente e se envolvia com elas. Depois, as medicava para que dormissem e praticava atos de tortura contra as crianças. Segundo o advogado, isso foi notado em três depoimentos dados à polícia. 

Por isso, advogados acreditam que a repercussão do caso possa trazer à tona outras possíveis vítimas de agressões de Jairinho. 

A defesa ainda explicou que Leniel Borel não percebeu nenhuma lesão aparente em Henry. A única queixa do filho, segundo eles, era que o padrasto “abraçava com muita força”. Por isso, os advogados acreditam que Jairinho usava técnicas para que as supostas agressões não causassem hematomas. E que Monique Medeiros, mãe do menino, não dava crédito às reclamações do garoto quando este se queixava ao pai. 

Apesar das acusações de repetidos abusos, os advogados de defesa disseram que ainda não existem indícios de agressões sexuais às crianças. 

Leonardo Barreto defende que a omissão da mãe faz com que ela responda ao inquérito como se tivesse praticado as torturas. 

“A omissão da mãe é penalmente relevante nesse fato e vai responder com a mesma severidade da lei do senhor Jairinho”, justificou.

A dupla de defesa relata que Leniel Borel vive um misto de alívio e tristeza com as prisões feitas nesta quinta. 

“Leniel Borel teve um misto de felicidade com tristeza. Felicidade porque ele tem um sentimento de que a Justiça, a princípio, pode estar sendo feita ao final da condenação no processo. Mas a tristeza Datena, é maior do que tudo, porque ele nutria, eu acho, uma esperança de que a mãe não havia participado disso. A mãe é uma ex-mulher dele, estavam separados há cinco meses. Então, quando ele descobriu pela imprensa que a mãe tinha conhecimento do fato, isso feriu a alma dele, no qual ele ficou extremamente estarrecido e eu acho que vai carregar um sentimento de culpa, mesmo sem ter, durante toda a sua vida, uma vez que o menino implorou para não ir para a casa da mãe”, disse Barreto com a voz embargada. 

Presos pela Policia Civil nesta quinta, Monique Medeiros e Doutor Jairinho estão no presídio de Benfica. O casal é acusado de homicídio duplamente qualificado e de tentar atrapalhar as investigações do caso da morte de Henry, ocorrida na madrugada de 8 de março.

Babá de Henry narrou agressões à mãe:

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