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SP: MP faz operação contra grupo ligado ao PCC suspeito de fraude em licitações

Três vereadores de cidades do Alto Tietê e um advogado estão entre os presos na 'Operação Munditia'. As empresas do grupo têm contratos públicos que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos

Da Redação

Policiais do GAECO em operação
Policiais do GAECO em operação
Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e a Polícia Militar de São Paulo deflagraram na manhã desta terça-feira (16) a Operação Muditia para desarticular um grupo criminoso associado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC) investigado por fraudes em licitação em todo o estado. Entre os presos está Áureo Tupinambá de Oliveira Fausto Filho, advogado de André de Oliveira Macedo, o André do Rap, considerado um dos maiores traficantes do Brasil. 

As empresas do grupo têm contratos públicos que somam mais de R$ 200 milhões nos últimos anos. Alguns deles atendiam a interesse do PCC, que tinha influência na escolha dos ganhadores de licitações e na divisão dos valores obtidos ilicitamente, segundo o Ministério Público de São Paulo. 

As equipes cumpriram 42 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão temporária – todos expedidos pela 5ª Vara Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo – em 11 prédios públicos, 21 conjuntos residenciais e dez comerciais e recolheram quatro armas (de calibres 380, .40, 38 e 9 milímetros) mais de 200 munições, 22 celulares e notebooks, além de R$ 3,5 milhões em cheques, R$ 600 mil em espécie e quase 9 mil dólares. 

Participaram da operação 27 promotores, 22 servidores e 200 policiais militares.

Além do advogado Áureo Tupinambá, outras 12 pessoas foram presas, incluindo agentes públicos, sendo que três deles são vereadores de cidades do Alto Tietê e do litoral paulista. A Band apurou que os parlamentares alvos da ação do MP são: Flávio Batista de Souza (Podemos), de Ferraz de Vasconcelos, Luiz Carlos Alves Dias (MDB), de Santa Isabel, e Ricardo de Oliveira (PSD), de Cubatão.

Segundo a investigação, as empresas atuavam de forma recorrente para frustrar a competição nos processos de contratação de mão de obra terceirizada no estado em diversas prefeituras e Câmaras Municipais. As cidades de Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Buri, Itatiba e outras têm contratos sob análise.

Ainda de acordo com os promotores, havia simulação de concorrência com empresas parceiras ou de um mesmo grupo econômico. Também há evidências de corrupção de agentes públicos e políticos (secretários, procuradores, presidentes de Câmara de Vereadores, pregoeiros, entre outros) e diversos outros crimes – como fraudes documentais e lavagem de dinheiro.

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