Brasil Urgente

Após assembleia, motoristas e cobradores de ônibus decidem fazer greve em SP

Paralisação será total e deve ter duração de 24 horas nesta quarta (29), aponta presidente de sindicato

28/06/2022 • 16:56 - Atualizado em 29/06/2022 • 06:38

Os motoristas e cobradores de ônibus farão greve na cidade de São Paulo a partir da meia noite desta quarta-feira (28). Paralisação será total e deve ter duração de 24 horas.

Em entrevista a José Luiz Datena, no Brasil Urgente, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, Valdevan Noventa, confirmou a greve.

"Acabamos de fazer uma assembleia com mais de cinco mil trabalhadores e foi unânime a aprovação da greve a partir da meia noite de hoje por 24 horas. A greve é total. Você viu que a gente negociou na semana passada o aumento e demos um prazo de cinco dias para o setor patronal sentar conosco. Ele sentou três vezes, mas foi irredutível e os empresários estão viajando. Vão para fora, para Portugal", disse.

Valdevan também explicou quais são as reivindicações dos trabalhadores do setor.

“Os trabalhadores não aguentam mais ter 1 hora de almoço sem remuneração. Há dois anos que as empresas não pagam PLR e também o trabalhador não abre mão. A questão do ticket que é descontado no atestado e tem as questões do setor de manutenção”, explicou.

Em nota, o SPUrbanuss, sindicato das empresas de transporte coletivo de São Paulo, diz que lamenta o anúncio da greve. A entidade espera que os passageiros não sejam penalizados com a greve e que motoristas e cobradores cumpram a determinação da Justiça, adotada na paralisação de 14 de junho, de colocar em operação 80% da frota nos horários de pico e 60% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

A liminar segue válida e a SPTrans está solicitando o aumento do valor da multa na Justiça. Também em nota, a SPTrans reforçou sobre a existência da determinação judicial e afirma que irá monitorar a frota no início da madrugada para auxiliar os passageiros. 

Prefeito de SP critica nova greve

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou a nova paralisação de motoristas e cobradores de ônibus da cidade.

“Se for confirmado isso, é uma irresponsabilidade. Teve toda aquela negociação que não cabia à prefeitura, a gente acabou intervindo ´porque não queríamos ter mais um dia de greve. agora o que eles estavam pedindo era uma questão de vale e de horas do horário de almoço que é possível eles negociarem com as empresas”, disse em entrevista a José Luiz Datena.

Ricardo Nunes também falou que entrará em contato com os donos de empresas de ônibus para tentar um acordo com os sindicatos e evitar a greve.

“Olha, primeiro é pedir para que o sindicato tenha um pouco de bom senso para entender o que pode causar de transtorno para a população. Agora, a segunda coisa, eu vou pedir agora para a SPtrans para aumentar o valor da multa para R$ 50 mil se a greve não tiver 80%. Vou falar com os empresários para que entrem em acordo com os sindicatos para que possa evitar esse transtorno na cidade”, afirmou.

Caso a greve dos motoristas e cobradores de ônibus seja de fato realizada, o rodízio municipal de veículos estará suspenso amanhã (29). Carros com placas finais 5 e 6 poderão circular pelo centro expandido a qualquer horário.

“Mas se, por acaso, realmente tiver a greve, a gente suspende o rodízio e vamos fazer um apelo para os nossos motoristas de aplicativos e de táxi manter a tarifa e a gente buscar uma solução o quanto antes”, completou.