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Caso Henry: ex-namorada de Jairinho relata que ela e o filho foram agredidos pelo vereador

Débora Mello mudou versão de 1º depoimento e falou em vários episódios de violência do vereador

Da Redação, com Brasil Urgente e Jornal da Band 16/04/2021 • 18:20 - Atualizado em 06/05/2021 • 19:43

A ex-namorada do vereador Doutor Jairinho mudou os relatos de seu primeiro depoimento. Débora Mello Saraiva, de 34 anos, declarou à Polícia Civil nesta sexta-feira (16) episódios de violência do vereador contra ela e seu filho, que atualmente tem 8 anos. 

“Trouxe fatos novos, relatando agressões anteriores do parlamentar, bem como agressões ao seu filho. Ela relatou sim violência contra a criança. Essa violência vai ser apurada na delegacia especializada da criança e adolescente (Dcav)”, disse Antenor Lopes, delegado diretor da Policia Civil do Rio de Janeiro para o Brasil Urgente

As repórteres Clara Nery e Yasmin Bachour tiveram acesso ao depoimento. A ex-namorada disse que mentiu da primeira vez por ter sido ameaçada pelo vereador. Segundo o testemunho, logo depois da morte de Henry Borel, ela recebeu uma ligação de Jairinho em “tom intimidador e de ironia”, onde ele teria dito: “Pode contar toda a verdade, amor”.

Débora ainda afirmou que foi agredida tantas vezes que não se recorda de todos os detalhes, o que aconteceu da mesma forma com seu filho. No último ato de violência, em 2020, em uma casa de Mangaratiba, a mulher falou em ações de tortura.

Em um relato semelhante ao de uma outra ex de Jairinho, Débora contou que o vereador teria saído sozinho com o filho para uma casa de festas. Depois, ele ligou avisando que o garoto tinha torcido o joelho em uma queda. Porém, em exames no hospital, ela descobriu que o filho tinha fraturado o fêmur.

Após a morte de Henry, o filho de Débora lhe disse que também era agredido quando pelo vereador quando ele e a mãe estavam juntos. E deu detalhes: disse que, certa vez, quando ele era pequeno, o político pisou na barriga e colocou papel na boca dele para abafar os gritos.

Na primeira versão, Debora tinha falado que o relacionamento dos dois era conturbado, mas não contou que havia agressões. Nesta sexta, Débora mudou a versão, assim como já haviam feito a babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira e a faxineira Leila Rosângela de Souza.

Debora contou que Jairinho esteve com ela mesmo sendo casado. Eles tiveram um relacionamento por seis anos, até novembro de 2020. 

Henry Borel: saiba tudo sobre a investigação que levou Jairinho e Monique Medeiros para a cadeia 

Lopes ainda descartou que a câmera achada no apartamento de Jairinho tenha algum registro de imagens do garoto. 

“Essa câmera teria sido comprada pelo pai do Henry para que a criança acostumasse a dormir sozinha no quarto, os pais compram câmeras para ficar monitorando os filhos nessa fase de adaptação. No entanto, pelo que a gente verificou, essa câmera não chegou a ser utilizada, ela sequer saiu da caixa”, explicou. 

O delegado voltou a falar em “provas muito contundentes” e acredita que a fase de investigação acabe no final da próxima semana e seja encaminhada ao promotor Marcos Kac, do Ministério Público, para que ele ofereça a denúncia contra o casal. 

Antenor Lopes voltou a descartar indícios de que Monique estivesse sob coação ou tenha sido ameaçada por Jairinho em seu relato. A Polícia ainda estuda se vai aceitar um novo depoimento da mãe de Henry. 

A hipótese de acidente já foi descartada. Os peritos cravam que o menino de 4 anos foi agredido até a morte no dia 8 de março. 23 lesões foram encontradas no corpo do garoto. De acordo com o laudo, a sessão de tortura durou cerca de quatro horas. Especialistas acreditam que o garoto pode ter morrido por volta das 23h - quase cinco horas antes de ser levado ao hospital. 

Jairinho é vereador do Rio de Janeiro e era padrasto da criança, que morreu em 8 de março. Em 8 de abril, ele e a mãe de Henry, Monique Medeiros, foram presos temporariamente. O casal é investigado sob suspeita de homicídio duplamente qualificado (com emprego de tortura e sem chance de defesa à vítima), de atrapalhar as investigações e ameaçar testemunhas do caso. 

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