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Ciro Gomes quer 'pressão' para abertura do processo de impeachment de Bolsonaro

Pedetista diz ter provas de ações de Flávio Bolsonaro e criticou Ricardo Barros

Da Redação, com Rádio Bandeirantes 30/06/2021 • 13:44

Ciro Gomes (PDT) defendeu nesta quarta-feira (30) a abertura de um processo de impeachment contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevista ao programa Manhã Bandeirantes, apresentado por José Luiz Datena na Rádio Bandeirantes, Ciro pediu “um movimento de pressão sobre o Congresso Nacional, sobre os líderes que estão se omitindo e sobre o Arthur Lira (PP-AL)”, presidente da Câmara dos Deputados.

“Nós precisamos fazer uma grande pressão. Primeiro, para todos os políticos que estão omissos hoje – estou falando do Lula (PT) – entrarem na disputa para guiar o nosso povo. Segundo, pressionar o Congresso brasileiro. Eles têm a obrigação, não de julgar o Bolsonaro, mas de abrir o processo. O procurador-geral da República (Augusto Aras), volto a dizer, com todo o respeito, também está aí para engavetar tudo”, afirmou.

Segundo Ciro, a oposição tem “uma robusta tonelada de documentos para provar aqui que o Bolsonaro é um genocida e um corrupto”.

O pedetista ainda fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Para ele, o filho do presidente da República é o principal nome no controle de um possível esquema de desvio de verbas destinadas ao combate da pandemia do novo coronavírus. 

“Por que o presidente não afastou o (deputado federal e líder do governo) Ricardo Barros (PP-PR) até o presente momento? Eu vou te dizer. Está por trás disso tudo sabe quem? Flávio Bolsonaro. Anote o que eu estou te dizendo. Eu já tinha informações (...), já tinham me dito que todo o sistema de compras do Ministério da Saúde a partir do Rio de Janeiro tem o Flávio Bolsonaro por trás. Essa empresa Precisa (que intermediou a compra da vacina Covaxin), que foi pilhada no primeiro escândalo, já tinha roubado o Brasil em quase R$ 20 milhões. Pegou dinheiro adiantado. Qualquer pobre que vai comprar remédio na farmácia tem que pagar antes. No Brasil, o Ministério da Saúde paga adiantado. E pior: não recebeu. Isso quando o Barros era ministro da Saúde (2016 a 2018, governo Temer). Eles estão processados por isso. O Barros está processado por isso, essa empresa está processada por isso. Recebeu quase R$ 20 milhões e não entregou os remédios”, descreveu Ciro.

“Se a imprensa procurar, Flávio Bolsonaro, filho de Jair Messias Bolsonaro, atual presidente do Brasil, está por trás de todas essas tramas do sistema de compras do Ministério da Saúde. Eu tenho provas de que ele levou esse cara da Precisa para o BNDES para conseguir, traficando influência, dinheiro de uma empresa que é inidônea. Mas isso é sem nenhuma dúvida. Basta investigar. É por isso que o Bolsonaro não demite o líder do governo. É por isso que o Bolsonaro está calado.”

Ricardo Barros, Bolsonaro e prevaricação

Ciro Gomes ainda lembrou a participação de Ricardo Barros nos governos de Fernando Henrique Cardoso (foi vice-líder e líder entre 1999 e 2002), Luis Inácio Lula da Silva (foi vice-líder em 2007) e Michel Temer (foi ministro da Saúde). Em 2019, como ministro de Temer, foi alvo de uma ação do Ministério Público Federal por causa de um contrato de R$ 20 milhões para a compra de medicamentos de alto custo que não chegaram a ser entregues a pacientes da rede pública.

No governo Bolsonaro, segundo depoimentos da CPI da Pandemia, Barros foi um dos envolvidos na compra da vacina Covaxin. Em fevereiro deste ano, o governo federal anunciou a compra de 20 milhões de doses do imunizante da Bharat Biotech, ainda sem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Cada vacina custaria US$ 15, embora o preço estipulado pela fabricante fosse de US$ 1,34.

Segundo depoimento do deputado federal Luís Miranda (DEM-DF), Bolsonaro sabia do envolvimento de políticos da base governista na negociação pela compra das vacinas. Ao depor, Miranda reproduziu um diálogo com o presidente da República, deixando claro que ele sabia da participação de Barros nas negociações.

“Ele (Bolsonaro) cita para mim assim: 'Vocês sabem quem é, né? Sabem que ali é f... e tal. Se eu mexo nisso aí, você já viu a merda que vai dar'. (Bolsonaro) falou assim: 'Isso é fulano', para mim e para o meu irmão. Vocês sabem que é fulano, né?’”, reproduziu. Questionado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), revelou: “É o deputado Barros que o presidente falou”.

Para Ciro Gomes, a presença de Barros como líder do governo Bolsonaro representa um loteamento do ministério em troca de apoio.

“Todas as suspeitas indicam que o Bolsonaro loteou o Ministério da Saúde com essa turma de bandidos que infestam a vida brasileira. E a gente precisa aguardar as apurações – eu sou uma pessoa muito severa, mas ao mesmo tempo muito equilibrada. A suspeita cai sobre o líder do governo, um cidadão chamado Ricardo Barros. Se a população for ao Google, você vai ver esse Ricardo Barros líder do governo Fernando Henrique. Muda tudo para não mudar nada. Esse cara é vice-líder do governo Lula. Aí muda tudo para não mudar nada, e esse cara é ministro da Saúde do governo Temer. E muda tudo para não mudar nada, esse cara é líder do governo Bolsonaro”, listou.

“O Brasil vai (se tornar), em agosto, o lugar em que mais morreu gente (por Covid-19) no mundo, e nós podíamos estar recebendo vacinas em dezembro. Direto com as fábricas, sem qualquer tipo de intermediários. Oitenta e um e-mails da Pfizer não foram sequer respondidos. A Sputnik V não deixaram homologar. E quando a gente vai tomar conhecimento, os camaradas estavam exigindo propina”, acrescentou.

Diante dos trabalhos da CPI no Senado, o governo federal decidiu suspender o contrato de compra da Covaxin. E para Ciro Gomes, a decisão indica problemas no acordo firmado – o que já seria de conhecimento do presidente.

“Só ontem o Ministério anuncia que vai suspender os contratos da tal vacina indiana. Ora, se vai suspender é porque tinha alguma coisa errada. Se tinha alguma coisa errada, o presidente soube em março. E aí existe um capitulo no Código Penal, um artigo, que se chama prevaricação. É um nome esquisito, mas diz sobre a autoridade tendo a obrigação de tomar uma providência e não tomando uma providência. O Bolsonaro foi avisado por um amigo, o deputado Luís Miranda, junto com um funcionário (Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado) que tinha os documentos de que estavam tentando roubar na vacina; disse que ia tomar providência e não tomou nenhuma providência. So veio tomar providência depois”, argumentou.

Na segunda-feira (28), frente aos depoimentos, Bolsonaro disse a apoiadores que não tinha como saber o que acontecia nos ministérios. Para Ciro Gomes, frente ao volume de dinheiro envolvido, a justificativa não convenceu.

“Com esse nível de valor, só se o camarada for muito incompetente. Nós estamos falando de bilhões de reais, em um país que não tem dinheiro para nada. Falta dinheiro para tudo no Brasil. O auxilio emergencial, no auge da pandemia, foi suspenso, virou R$ 150 que não paga um quarto da cesta básica. A alegação é que não tem dinheiro, mas tem dinheiro. Eles distribuíram R$ 30 bilhões nesse orçamento clandestino – para roubar”, criticou. “O presidente da República pode não saber? Pode. Era a alegação do Lula a vida inteira.”