Notícias

Para Temer, Bolsonaro ajuda a 'distensionar' Brasil ao adotar tom mais moderado

Ex-presidente descartou possibilidade de disputar eleição em 2022

Da Redação, com Rádio Bandeirantes 27/09/2021 • 08:54 - Atualizado em 27/09/2021 • 12:36

O ex-presidente Michel Temer (MDB) celebrou nesta segunda-feira (27) a posição “paz e amor” adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em entrevista à revista Veja. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Temer disse acreditar que o tom de Bolsonaro ajuda a promover uma “distensão” da situação política atual do Brasil.

“Eu acho que, se ele seguir nessa linha, é útil para o país, distensiona. O que mais nos precisamos para o país é uma distensão das relações. O povo respira aliviado. Acho que isso é bom para o país, naturalmente é bom para o governo, é bom para todos os brasileiros”, afirmou.

De acordo com o ex-presidente, as declarações à revista sinalizam uma busca de Bolsonaro por paz e harmonia entre os poderes. 

“É uma coisa que os brasileiros estão à procura”, analisou. “O conteúdo todo da entrevista é na direção de quem está disposto àquilo que todo presidente deve fazer: cumprir a Constituição.”

Na entrevista, Bolsonaro descartou a possibilidade de um golpe do governo atual, afirmando que a chance só existe a partir da oposição.

“Daqui pra lá, a chance de um golpe é zero. De lá pra cá, a gente vê que sempre existe essa possibilidade”, assegurou, citando “100 pedidos de impeachment dentro do Congresso”.

Eleições 2022

Diante da preferência de boa parte do eleitorado pelos nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro em pesquisas visando a eleição presidencial de 2022, Temer disse achar que “seria importante” conseguir viabilizar um terceiro nome na disputa.

“Meses atrás eu achava que poderia haver uma única candidatura (de terceira via). Ou seja, os partidos se uniriam, lançariam pré-candidatos e ao final lançariam uma candidatura que fosse a mais viável", afirmou.

"Confesso que a essa altura começo a perder um pouco a esperança nisso porque candidaturas que estão sendo lançadas dificilmente voltarão atrás. Então, a tal coluna do meio, a terceira via, pode vir a ter três ou quatro candidaturas. Tendo três ou quatro candidaturas, atomiza o voto, espalha o voto. Espalhando o voto, a polarização continua presente e muito viva", analisou.

O ex-presidente afirmou não ter pretensão de concorrer ao cargo no ano que vem. Mas garante receber pedidos para que volte à Presidência da República.

“Confesso a você que recebo solicitações e sugestões de que venha a me apresentar. Quando me dizem isso, tomo como reconhecimento ao meu governo  – que, graças a Deus, deu amplos resultados naquele período, que se prolongaram com o tempo", afirmou.

"Posso dizer, com toda a modéstia de lado, que eu vou aos locais - supermercados, restaurantes - e no geral sou cumprimentado, quando não até aplaudido. (Mas) não está no meu horizonte, eu não penso nisso”, disse, em referência a uma candidatura.

Imitação em jantar

Michel Temer negou na entrevista que o vídeo com uma imitação de Jair Bolsonaro tenha sido divulgado por um assessor dele.

Na gravação, o ex-presidente aparece rindo quando Bolsonaro é imitado por André Marinho, um dos participantes de um jantar realizado em São Paulo no início do mês de setembro.

O ex-presidente afirmou que a divulgação inicial apenas da parte que se referia ao presidente foi feita por alguém que desejava criar intriga.

"Não foi meu assessor que divulgou. Isso foi divulgado por alguém que pretendia uma incompatibilidade com o presidente Bolsonaro. Eu até tomei a liberdade de telefonar ao presidente e dizer que foi divulgado um videozinho como se fosse só a sua caricatura, imitação, mas na verdade mais nove personalidades foram imitadas. Ele disse não esquenta a cabeça com isso, eu sem quem divulgou, não tenho a menor preocupação”, afirmou.

Michel Temer defendeu que o Brasil assuma o compromisso de cumprir todas as metas do Acordo de Paris. Ele elogiou a divulgação de uma carta assinada por grandes empresas pedindo protagonismo do Brasil na chamada “agenda verde”.

Para o ex-presidente, essa deve ser a postura do país na COP 26, a conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o clima, em outubro, na Escócia.

“Fiquei muito satisfeito quando verifiquei esse manifesto do PIB nacional. O Brasil precisa levar essas ideias lá para fora e dizer que vai cumpri rigorosamente o Acordo de Paris.”