Jornal da Band

Votação da “saidinha” racha base de Lula, inclusive com votos do PT contra veto

Derrotas em série no congresso acendem o alerta no governo

Por Caiã Messina

Na última terça-feira (28), deputados e senadores derrubaram um veto do presidente Lula, que permitia a saída dos presos para visitar familiares. Agora, eles só podem deixar a prisão para cursos profissionalizantes, supletivos ou para trabalhar.

“A saidinha não tem lógica, justamente por sabermos que muitos saem e não voltam. Veremos que 10% ou 15% não retornam, e muitos cometem o mesmo crime”, afirmou Izalci Lucas, senador (PL/DF)

“Essa ideia de acabar totalmente com a saída temporária é um pouco como fechar o Parlamento por causa da corrupção de alguns Parlamentares. Não dá!”, afirmou Chico Alencar, deputado federal (PSOL/RJ).

A derrubada do veto foi uma derrota para o governo e provocou reações no Planalto. O presidente avisou líderes governistas e ministros mais próximos que as semanas agora vão sempre começar com uma reunião de análise política e relação com o Congresso. O objetivo é evitar novo racha na base como na votação da saidinha.

Fabiano Contarato, que já foi líder do PT no Senado, votou contra a saidinha, assim como a também petista a deputada Maria do Rosário: acompanharam oposicionistas, como, por exemplo, Alexandre Ramagem, do PL.

Já o deputado Aécio Neves, do PSDB, fechou com o governo. O placar na Câmara ficou em 314 a 126 pela derrubada do veto e no senado, 52 votos a 11. Nas duas casas, o planalto ficou isolado, apenas com a chamada base ideológica, mas sem unanimidade. 

Cerca de 70 por cento do centrão, que tem 11 dos 38 ministérios, fechou com a oposição na restrição das saidinhas. Foi o caso de Elmar Nascimento e Kim Kataguiri, do União Brasil, Tabata Amaral, do Psb, Marcos Pereira, do Republicanos, e Baleia Rossi, do MDB.

Já Guilherme Boulos e Tarcísio Mota, do PSOL, José Guimarães e Rui Falcão, do PT, e Orlando Silva, do PCdoB, votaram a favor da continuidade das saidinhas.

Alguns parlamentares prometem recorrer à justiça para que o benefício permaneça.

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