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Neurocirurgião explica piora na evolução do quadro de Paulo Gustavo

Feres Chaddad, professor da Unifesp, analisou boletins médicos do ator e comediante vítima de covid-19

Da Redação, com BandNews TV 05/05/2021 • 09:37 - Atualizado em 06/05/2021 • 07:52

Para entender a evolução do quadro que culminou na morte do ator e humorista Paulo Gustavo, o BandNews TV ouviu o professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Feres Chaddad. 

Chaddad explicou sobre o quadro relatado no último boletim médico antes da morte do artista, às 21h12 da última terça-feira (4), que falava em “embolia gasosa disseminada, incluindo o sistema nervoso central”. Ele estava internado desde 13 de março, após agravamento do quadro de Covid-19.

Segundo ele, o coronavírus pode agir de forma direta, causando tromboses e levando a casos de acidentes vasculares cerebrais (AVC). No caso do ator, duas possibilidades podem ter levado ao quadro de embolia: fístulas pulmonares (lesões) que fazem o ar “vazar” ou um endurecimento do pulmão que pode ter sido causado como efeito secundário da terapia por ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), aparelho que faz as trocas gasosas fora do corpo. 

O professor também disse que o “quadro irreversível” mencionado no boletim era a morte cerebral de Paulo Gustavo, que acontece quando o corpo do paciente deixa de responder ou reagir a quaisquer estímulos, ao contrário de quem está em coma, que possui potencial responsivo. Esse quadro é determinado a partir de diversos testes clínicos realizados por dois ou mais médicos especialistas distintos. 

Chaddad também detalha os exames realizados para avaliar se há atividade cerebral nos pacientes e a evolução da gravidade no quadro do ator desde que foi internado. Ele também fala sobre a “imprevisibilidade” dos tratamentos e da evolução do próprio coronavírus nos pacientes infectados.

Veja a explicação completa no vídeo acima. 

A carreira de Paulo Gustavo

Nascido em 30 de outubro de 1978 em Niterói (RJ), Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros ganhou notoriedade no papel de dona Hermínia, inspirada em sua própria mãe. Ator e roteirista, foi um dos maiores humoristas do Brasil. Desde 2015, estava casado com o dermatologista Thales Bretas, com quem tinha dois filhos: Romeu e Gael, de um ano e meio.

Paulo Gustavo se formou em artes cênicas na Casa de Artes Laranjeiras e estreou no teatro em 2004 no espetáculo humorístico “Surto”, quando representou dona Hermínia pela primeira vez. O papel ganhou reconhecimento nacional na trilogia “Minha Mãe É Uma Peça” (2013). O terceiro filme, de 2019, levou 11,5 milhões aos cinemas e arrecadou R$ 138 milhões em 4 semanas.

O ator ainda participou dos programas “Minha Nada Mole Vida", "A Diarista", "Casos e Acasos" e "Sítio Do Pica-Pau Amarelo", todos na TV Globo, além do “Vai Que Cola”, no canal Multishow.

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