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PF investiga professores e alunos por palestras antifascistas no Ceará

Professores foram acusados por alunos que se disseram cristãos e apoiadores de Jair Bolsonaro em atividades de 2018

Da Redação, com BandNews FM 11/06/2021 • 15:48 - Atualizado em 11/06/2021 • 17:02

A Polícia Federal intimou quatro professores e cinco estudantes de filosofia da Uece (Universidade Estadual do Ceará) por causa de aulas e palestras antifascistas realizadas em outubro de 2018 - época da campanha eleitoral. As informações são de Mônica Bergamo, colunista da BandNews FM.

Os mandados foram assinados pela delegada Alexsandra Oliveira Medeiros Reis, de Fortaleza, e entregues nesta semana. Perguntados sobre qual era o motivo do inquérito, os agentes disseram que se referia a atos antifascistas na universidade naquele ano.

Com acesso aos autos, os professores descobriram que foram acusados por alunos e ex-alunos da Uece que se disseram cristãos e apoiadores do agora presidente Jair Bolsonaro e alegaram que se sentiram perseguidos com as palestras e com a postura dos professores e estudantes.

Em nota divulgada na última quinta (10), a universidade divulgou nota onde manifestou “incondicional apoio institucional” aos alvos de investigação e que a intimação da PF “fere a liberdade de expressão”.

Uma das intimadas, a professora Ilana Viana Amaral disse, em seu perfil no Facebook, que “se ser antifascista é crime, vou presa. Ré confessa de antifascismo".

Veja a nota oficial da Uece:

Na tarde desta quinta-feira, 10, quatro professores e cinco estudantes da Universidade Estadual do Ceará (UECE) foram intimados a comparecer à Unidade de Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre ação que apura “atos antifascistas”, “organização de polícia ideológica” e “perseguição [a grupos] por serem cristãos, bolsonaristas e não quererem declarar voto no candidato do Partido dos Trabalhadores”, supostamente ocorridos em 2018.

A ação acontece desde o referido ano, e o Ministério Público Federal já afirmou não existir viabilidade na acusação. No entanto, o inquérito ainda não foi arquivado.

Nesse contexto, a UECE manifesta incondicional apoio institucional aos professores e aos estudantes que estão sendo alvo dessa intimação que fere a liberdade de expressão e de “aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber” (Constituição Federal, Art. 206).

Os professores intimados, em momento algum, perseguiram alunos por terem posicionamentos divergentes, pois é exatamente em virtude dessas diferenças e do livre debate de ideias que a ciência se constrói. Na verdade, discussões e posicionamentos diversos são os pilares da academia.

Em tempos de obscurantismo e de retrocessos, comprometemo-nos, obviamente, com a verdade dos fatos e reiteramos nosso compromisso com a democracia, com a autonomia universitária – a nós garantida pela Constituição Federal – e com o Estado Democrático de Direito, além de apoiarmos incondicionalmente os membros de nossa comunidade acadêmica nessa luta.

Iluminando caminhos, seguimos firmes em defesa da democracia.

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