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Investigado pela PF, Ricardo Salles deixa o Ministério do Meio Ambiente

No mesmo decreto, Bolsonaro confirmou o novo titular da pasta: Joaquim Alvaro Pereira Leite

Da Redação, com Jornal da Band e BandNews TV 23/06/2021 • 17:20 - Atualizado em 23/06/2021 • 20:17

Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente, foi exonerado do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quarta-feira (23). A saída do cargo, feita a pedido de Salles, foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União. Veja íntegra aqui

No mesmo decreto, foi confirmado o novo titular da pasta: Joaquim Alvaro Pereira Leite, que estava na Secretaria da Amazônia e Serviços ambientais desde abril de 2020. Ele integra o governo desde julho de 2019, onde atuou também como Diretor do Departamento Florestal do Ministério do Meio Ambiente.

“Experimentamos, ao longo desses dois anos e meio, muitas contestações sobre as medidas que foram tomadas ou que foram planejadas. Uma tentativa de dar a essas medidas um caráter de desrespeito à legislação ou à Constituição, o que não é absolutamente verdade. Sabemos que diversas dessas medidas são importantes, são necessárias. A sociedade brasileira espera isso, esse respeito ao setor produtivo, à propriedade privada”, disse o antigo titular do Meio Ambiente em evento no Palácio do Planalto em que anunciou sua saída.

Salles é um dos investigados da Operação Akuanduba, que investiga possíveis exportações ilegais de madeira para os Estados Unidos e Europa, deflagrada em 19 de maio. A Polícia Federal apura crimes como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando. 

Suspeito de intervir no caso em favor de empresários do setor de madeira na Amazônia para modificar as regras e regularizar cargas de madeira apreendidas no exterior, ele declarou que a operação era “exagerada” e negou as irregularidades.

A investigação que determinou a operação começou em janeiro deste ano, após informações de autoridades estrangeiras noticiarem o possível desvio de conduta dos servidores públicos do Meio Ambiente e do Ibama nos processos de exportação de madeira a partir da edição de um decreto de 2020, que permitia a exportação de produtos florestais sem a necessidade de emissão de autorização.

O agora ex-ministro entregou o celular à PF 19 dias após a operação.

Fundo Amazônia e “passar a boiada”: gestão de Salles foi marcada por polêmicas

A gestão de Ricardo Salles no Meio Ambiente foi marcada por diversas polêmicas. Começou com a suspensão de repasses internacionais para o Fundo Amazônia. Já em abril de 2020, em vídeo de uma reunião interministerial, Salles foi gravado sugerindo “passar a boiada” em meio à pandemia da covid-19, fazendo referência à aprovação de decretos e portarias.

Em março de 2021, o então superintendente da Polícia Federal no Amazonas Alexandre Saraiva acusou Salles de dificultar a investigação de crimes ambientais. Ele acabou afastado do cargo.

Por isso, a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF abertura de inquérito contra o agora ex-ministro. Há duas semanas, a ministra Cármen Lúcia acatou o pedido.

Aliados do presidente passaram a pressionar pela troca do ministro e acabaram atendidos.

Como fica o governo com a saída de Salles? Veja análise de Fernando Schüler no BandNews TV:

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