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Secretário nega pedido de demissão da Agricultura e fala em 'egos aguçados' em leilão do arroz

Neri Geller falou com exclusividade à BandNews TV

Por Túlio Amâncio

O ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, negou nesta quarta-feira (12), em entrevista à BandNews TV, que tenha pedido demissão da pasta após o leilão para compra de arroz ser cancelado pelo Governo Federal. 

“Eu não fiz o pedido de exoneração. Depois que aconteceu esse leilão e começaram a levantar suspeitas, de imediato me posicionei com firmeza (...). Chegando em Brasília, relatei ao ministro (Carlos) Fávaro da minha posição, de 100% de transparência e tranquilidade, porque não tem nada para esconder”, afirmou. 

Geller disse ainda que não sabe se a demissão partiu do ministro ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele (Fávaro) foi ao Palácio (do Planalto), conversou com o presidente, de lá me ligou e disse que a decisão era pelo meu afastamento."

Leilão "desorganizado"

Questionado sobre a maneira com a qual o leilão foi conduzido e sobre a afirmação de Lula a respeito de “desorganização”, o ex-secretário concordou e declarou que o processo “foi politizado" e que "faltou orientação”. 

Se buscar nos anais das reuniões que fizemos, as posições técnicas não foram seguidas.

"Se nós tínhamos informações do Rio Grande do Sul de que 78% da produção já havia sido colhida, estava nos armazéns, se nós tínhamos a informação de que o restante que faltava estava fora do eixo das enchentes e de que o Mercosul tinha estoque de arroz, o leilão deveria ser feito de forma mais escalonada”, disse.

“Infelizmente isso foi conduzido de forma equivocada. Não estou falando em má-fé da parte de ninguém, mas houve má condução e egos aguçados.”

Suspeitas com ex-assessor

Neri Geller falou também sobre as suspeitas envolvendo um ex-assessor que foi um dos negociadores do leilão de arroz. De acordo com ele, não houve conflito de interesses e nem irregularidades na atuação de Robson Luiz de Almeida de França. 

"Robson é advogado e tem um escritório de consultoria. Ele estava no meu gabinete 4 anos atrás. Eu não posso impedir o direito de ele tocar a vida dele. Está exercendo corretagem no mercado desde o ano passado, participou de 10, 15, 20 leilões no ano passado", explicou. 

“Se tiver ilegal, se tiver qualquer irregularidade, que seja punido com rigor. Mas eu estou muito tranquilo. Até onde tenho informações, está tudo dentro dos padrões legais.”

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