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Caso Flordelis: Ex-deputada relata alucinações em avaliação na prisão

O laudo indica que não há “atitudes ou sinais sugestivos de atividade alucinatória genuína”.

Felipe de Moura* 29/06/2022 • 17:12 - Atualizado em 29/06/2022 • 17:52
Flordelis disse ter alucinações e pesadelos em uma avaliação psicológica e psiquiátrica.
Flordelis disse ter alucinações e pesadelos em uma avaliação psicológica e psiquiátrica.
Fernando Frazão/ Agência Brasil

A ex-deputada federal Flordelis disse ter alucinações e pesadelos, em uma avaliação psicológica e psiquiátrica, feita no dia 27 de abril deste ano, no Hospital Penal Psiquiátrico Roberto Medeiros, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, a pedido dos advogados dela.

A pastora foi presa em 2019 acusada de matar o marido, o pastor Anderson do Carmo, e será julgada no dia 12 de dezembro de 2022.

Na avaliação psiquiátrica, Flordelis relatou que a mudança de comportamento dela, já na infância, se deu por conta de uma “história de abuso sexual, levando a que sua mãe a conduzisse a atendimento psicológico”.

Flordelis foi avaliada pelo psicólogo Marcos José de Souza Martins e pelo psiquiatra Mauro Acselrad. Os dois concluíram que não havia motivos para que a ex-parlamentar ficasse internada na unidade psiquiátrica.

O psiquiatra responsável pela avaliação também escreve no laudo que Flordelis relata “escuta alucinatória eventual de longa data”. Ela também alegou ouvir gritos e a própria voz. Segundo a pastora, ela já tentou tirar a própria vida na prisão, mas “afirma que não fez uma nova tentativa posterior e que não pensa mais em fazê-lo”.

O psiquiatra relatou não ser certo “tratar-se de alucinações genuínas”. Segundo ele, Flordelis evitou falar da morte de Anderson e ficava “inquieta” quando o assunto era tratado. A pastora também disse que teve perda de memória e só se recorda de episódios ocorridos há 29 anos, quando começou a acolher crianças e adolescentes em sua casa na favela do Jacarezinho.

Em relação às condições gerais de Flordelis, os médicos falaram que ela “discorre com fluidez acerca dos temas arguidos, demonstrando lucidez, clareza de consciência e orientação global e fala de maneira organizada e coerente, com boa articulação verbal”.

A avaliação psiquiátrica e psicológica de Flordelis foi pedida por sua defesa antes da realização de seu julgamento.

RELEMBRE O CASO

O pastor Anderson do Carmo foi morto com mais de 30 tiros em junho de 2019 na casa da família, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Logo depois do crime, Flordelis disse que tinha sido vítima de uma tentativa de assalto, o que nunca se confirmou.

A ex-deputada federal foi presa pela Polícia Civil do Rio em agosto de 2021, 48 horas depois de ter o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, em Brasília. Mesmo presa, ela negou as acusações e pediu orações.

*Estagiário sob supervisão de Natashi Franco