Band Rio

Diversidade ganha espaço de destaque na 20ª Bienal Internacional do Livro no Rio

Evento dá cada vez mais voz à mulheres e vozes LGBTQIAP+

Beatriz Duncan (sob supervisão) 04/12/2021 • 20:21 - Atualizado em 06/12/2021 • 13:57
20ª edição acontece até o próximo dia 12 de dezembro
20ª edição acontece até o próximo dia 12 de dezembro
Beatriz Duncan/Band Rio

A Bienal do Livro promete movimentar os pavilhões do Riocentro, na Zona Oeste do Rio até o próximo dia 12 de dezembro. Mas o que chama a atenção do visitante é a diversidade encontrada nos stands, painéis e nas prateleiras do evento. Histórias e personalidades importantes agora ganham protagonismo na maior feira literária do país.

“O mercado editorial é tradicionalmente muito masculino no sentido de quantidade de autores publicados x mulheres. E muitos homens brancos, por exemplo, versus negros. Mas o que eu vejo acontecer hoje, a gente fala muito de diversidade e o mundo editorial não tem como ficar fora disso. O mercado não tem escolha, vai precisar abrir as portas. A própria Bienal aqui hoje está muito focada em diversidade.”, conta a diretora da Editora Melhoramentos, Fernanda Saboya.

Ela conta ainda que, atualmente, 60% dos cargos de gestão, dentro da empresa que ela comanda, são ocupados por mulheres. Para Saboya, é de extrema importância trazer uma diversidade para o mercado para quando acontecer um debate de quais títulos vão ser publicados, diversas histórias possam ser ouvidas através de diferentes vozes, representando de fato a sociedade.

No painel, “A construção do feminino”, que acontece no dia 11 de dezembro, a imagem estereotipada da mulher entra em discussão. Aspectos como o poder, preconceito, machismo estrutural e expectativas criadas em torno das mulheres também vão ser discutidos pela jornalista Ana Paula Araujo e as autoras Bruna Maia, Jaqueline Vargas e Luh Maza.

A ideia é poder trazer mais visibilidade para a potência feminina na sociedade, que ganha cada vez mais destaque no mercado de trabalho.

REPRESENTATIVIDADE

A representatividade na literatura é de extrema importância. É a partir dela que novas gerações de leitores vão ter a oportunidade de conhecer novas histórias através de pontos de vista pouco relatados anteriormente. Temas que há alguns anos eram tabus, hoje fazem parte de grandes debates na sociedade. Um grande exemplo disso é o painel “Os Novos Rumos da Literatura LGBTQIAP+ Young Adult”, que acontece no próximo dia 9 de dezembro, na Estação Plural, do Pavilhão Azul.

Questionamentos como: “Quais avanços foram percebidos no último ano?”, “O que ainda precisa ser contado?” e “Quais são as próximas barreiras a serem derrubadas?”, vão entrar em pauta no bate-papo entre os convidados Clara Alves, Elayne Baeta, Juan Jullian, Pedro Ruas e Deko Lipe. A mediação fica por conta de Felipe Cabral.

“Eu sinto que nos últimos dois anos a literatura LGBTQIAP+ ganhou um espaço gigante no mercado, em especial quando falamos do público jovem. O boom do booktok ajudou a formar uma nova geração de leitores que se preocupa muito com representatividade, que está atrás de histórias com que se identifiquem. Os estandes das editoras agora exibem prateleiras de livros LGBTQIAP+, bandeiras do orgulho. É lindo ver que estamos ocupando tantos espaços no evento”, conta a autora Clara Alves.

No último dia da Bienal, em 12 de dezembro, a mesa “Vozes LGBTQIAP+: O que vem pela frente?” também aborda o aumento dos discursos de ódio e preconceito na sociedade, principalmente nas redes sociais. A conversa que reúne os convidados Amiel Vieira, Renan Quinalha, Letícia Carolina Nascimento, Samuel Gomes e Natalia Borges Polesso, busca também discutir a tentativa de censura que marcou a última Bienal do Livro em 2019. Na ocasião, Histórias em Quadrinhos foram recolhidas pela Prefeitura do Rio por suposto conteúdo sexual proibido para menores. O gibi trazia uma imagem de dois rapazes se beijando.

Na última sexta (3), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, criticou o ato do último evento e pediu desculpas a todos que trabalharam na edição.

“A intolerância tomou conta do Brasil nos últimos anos e o momento mais simbólico dessa situação infelizmente aconteceu na Bienal de 2019. Foi uma marca de preconceito, intolerância e censura. Quero pedir desculpas a todos que estiveram envolvidos na organização da Bienal na edição de 2019 por aquele absurdo. Beijem-se à vontade”, afirmou o prefeito durante a cerimônia de abertura do evento.

A Bienal do Livro acontece até o próximo dia 12 de dezembro. Mais informações sobre ingressos e a programação do evento: https://bienaldolivro.com.br/