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Escolas do Rio encontram dificuldades para implementar novo ensino médio

A situação é diferente entre colégios da rede pública e privada da cidade

Rafaella Balieiro (sob supervisão de Natashi Franco) 20/09/2021 • 17:28 - Atualizado em 21/09/2021 • 18:01
Colégios públicos e particulares têm diferentes percepções quanto às mudanças
Colégios públicos e particulares têm diferentes percepções quanto às mudanças
TV Bandeirantes

Apesar de ter sido proposto desde 2017, o modelo do “Novo Ensino Médio” encontra dificuldades para entrar em prática em 26 estados do país, principalmente no Rio de Janeiro. Escolas públicas e privadas da região reclamam da falta de assistência e direcionamento para implementar o novo sistema de ensino. O prazo para colocar em prática a proposta acaba no início do próximo ano.

O novo modelo pretende ampliar a carga horária das escolas públicas, igualando às mil horas anuais da rede privada. A proposta ainda quer dividir o ensino médio em dois pilares, os alunos poderão escolher carreiras de acordo com a área de interesse, além de seguir a formação geral escolar.

Até agora, apenas Santa Catarina publicou as cinco medidas de regulamentação do ensino médio. As dificuldades para implementar o novo modelo vão desde a escolha do material didático, até a falta de informação que deveria ser repassada às escolas estaduais.

“O estado do Rio de Janeiro não proporcionou uma capacitação para os nossos professores. A nossa maior dificuldade é o suporte que deveria ter sido dado, nós aqui na unidade tivemos que pesquisar as coisas por conta própria. Eu precisei montar palestras e reuniões para dar alguma informação aos servidores daqui”, esclareceu Bete Galdino, diretora de uma escola estadual em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Os professores da unidade ainda produziram uma carta de repúdio mostrando o desconforto diante do novo modelo. Nove em cada dez professores da escola em que Bete trabalha discordam da proposta do Ministério da Educação.

“Para nós da escola, esse projeto é um retrocesso. Ele nos lembra muito uma lei de 1971 da época da Ditadura Militar, que instituía o ensino profissional nas escolas. A missão da nossa escola é formar um cidadão crítico, capaz de reconhecer quem ele é na sociedade”, comentou Galdino.

Nas escolas particulares a expectativa é bem diferente. Com uma carga horária já adequada ao novo ensino médio, o que fica de novidade é a possibilidade de escolher matérias que fujam da formação regular. A ideia é conectar o itinerário formativo com eixos que ajudem na hora do vestibular, como uma comunicação não violenta e o desenvolvimento de atividades que foquem na saúde mental.  

“O Ensino Médio é muito criticado por ter uma estrutura engessada e por ter um conteúdo que não interessa a vida dos alunos. Esse novo ensino médio permite desenvolver soft skills que são importantes para o dia o dia. São oportunidades muito importantes para criar uma conexão com a vida adulta”, esclareceu Rafael Pinna, diretor de uma das unidades do colégio Ao Cubo.

Numa das unidades do colégio, a proposta é iniciar as mudanças a partir do 1º ano do Ensino Médio em 2022, já pensando nos resultados do Enem de 2024. A possibilidade de escolher as matérias que irão cursar também pode ser entendida como uma prática de amadurecimento dos alunos.

“Eu acho que o que mais me chamou atenção foi poder escolher o que a gente gosta, é muito bom para a gente conhecer o mundo lá fora. Eu pretendo entrar no itinerário de exatas, vou aprender sobre bolsa de valores e programação”, comentou um aluno que fará parte da primeira turma que passará pelas mudanças do ensino no colégio particular.

Em nota, a Secretaria de Educação do Estado informou que não há prazos atrasados já que o novo currículo começa a valer a partir do próximo ano. A pasta também informou que faz trabalhos de escuta ativa com os professores da redes desde fevereiro desse ano, um curso de formação para os professores está sendo fornecido em parceria com a UERJ. 

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