Band Rio

Bicheiro Rogério de Andrade volta a ser detido depois de prisão do filho

Documentos que expõem a continuidade de uma sistemática cadeia de corrupção foram encontrados durante uma ação na manhã de hoje.

Felipe de Moura* 04/08/2022 • 17:18 - Atualizado em 04/08/2022 • 17:35
Rogério de Andrade voltou a ser preso hoje.
Rogério de Andrade voltou a ser preso hoje.
Reprodução

O bicheiro Rogério de Andrade foi preso nesta quinta-feira (4) depois de ter uma nova prisão decretada pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital, do Tribunal de Justiça do Rio. A Polícia Federal e o Gaeco/MPRJ encontraram documentos que revelaram o pagamento de propina a diversas delegacias especializadas da Polícia Civil.

Rogério de Andrade estava na companhia do filho, Gustavo de Andrade, que estava foragido da justiça de maio, quando a Operação Calígula foi deflagrada. Em um primeiro momento, apenas Gustavo foi preso.

Apontado como o rei do jogo do bicho, Rogério de Andrade não tinha sido preso por conta de um habeas corpus concedido pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira (2).

No entanto, depois de uma varredura no imóvel, os agentes encontraram documentos que apontam pagamento de propina a delegacias especializadas da Polícia Civil. O grupo ainda pretendia abrir um novo negócio, de cerca de R$ 6 milhões. Rogério e Gustavo foram encaminhados para a sede da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio.

A lista apreendida na casa onde estavam os dois criminosos descreve o pedido da “merenda”, uma espécie de propina, que tinha parado a pedido das próprias unidades policiais.

ENTENDA O CASO

As investigações da Operação Calígula revelaram a participação de policiais civis e militares na organização criminosa. Entre eles, estava a delegada Adriana Belém, que foi presa. Na casa dela, foram encontrados quase R$ 2 milhões.

A suspeita é de que os agentes recebiam propina para não reprimir a quadrilha de Rogério de Andrade e até devolver máquinas de caça-níquel apreendidas. Outro denunciado na ação é Ronnie Lessa, que também responde pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Segundo o ministério público, Rogério e Gustavo montaram um bingo no quebra-mar, na Barra da Tijuca, em parceria com Lessa, que é sargento reformado da PM do Rio.

O sobrinho de Castor de Andrade, Rogério, além da exploração dos jogos de azar, é suspeito de ter cometido outros crimes, como o assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio, em 2020.

*Sob supervisão de Natashi Franco