Fórmula 1

Senna x Prost, Lauda x Hunt: relembre as rivalidades mais quentes da Fórmula 1

Categoria ganhou em 2021 mais uma grande disputa para a sua história com os atritos de Lewis Hamilton e Max Verstappen

Da Redação 09/11/2021 • 12:16 - Atualizado em 03/12/2021 • 10:46
Senna e Prost: rivalidade dentro da McLaren
Senna e Prost: rivalidade dentro da McLaren
Formula 1 / Divulgação

"Se for para a última corrida e quem estiver na frente vencer o campeonato no momento, eles vão lutar muito duro um com o outro, vão fazer um Senna-Prost se estiverem disputando o título". Esta frase é de Toto Wolff, em entrevista ao Daily Mail. O episódio lembrado pelo CEO da Mercedes aconteceu no GP do Japão de 1989, o penúltimo do campeonato: Alain Prost, então líder, duelava pelo título mundial com Ayrton Senna, quando na 47ª volta ambos se chocaram na chicane de Suzuka, o que garantiu o tricampeonato para o francês.

A temporada 2021 da Fórmula 1 tem proporcionado aos fãs uma rivalidade à moda antiga entre o “Patrão” Lewis Hamilton, hepta-campeão mundial, e o jovem Max Verstappen, “o Super Max”. Porém, ao longo da história, outras rivalidades balançaram as estruturas da categoria.

Confira as principais rivalidades da Fórmula 1:

NIKI LAUDA X JAMES HUNT

A boa e velha rivalidade entre McLaren e Ferrari ganhou contornos de animosidade em 1976. O austríaco Niki Lauda, favorito ao título, fez um início de campeonato fantástico, mas tudo começou a mudar após o GP da França, em Paul Ricard. O carro da Ferrari passou a ter problemas, as brigas nas largadas se tornaram mais vorazes (como no GP da Grã-Bretanha) e Lauda sofreu um acidente grave no GP da Alemanha. Ele teve queimaduras no rosto, fraturas e respirou gases prejudiciais à saúde.

Quando voltou, Hunt tinha diminuído a diferença no campeonato – o que o impulsionou ao título mundial, conquistado na última corrida. A rivalidade virou tema do filme “Rush”, de Ron Howard.

GILLES VILLENEUVE X DIDIER PIRONI

Rivalidades também podem nascer dentro da própria equipe. Gilles Villeneuve e Didier Pironi corriam pela Ferrari em 1982 e lideravam o GP de San Marino, em Ímola. Para garantir a dobradinha, a escuderia pediu para que os pilotos mantivessem as suas posições. Mas Pironi não respeitou o apelo e ultrapassou o companheiro canadense na última volta.

“De agora em diante vai ser guerra. Guerra total!”, declarou Villeneuve após a corrida. Mas a rivalidade durou apenas duas semanas, já que o canadense morreu após um acidente na sessão de qualificação final para o Grande Prêmio da Bélgica, em Zolder.

AYRTON SENNA X ALAIN PROST

Para muitos, uma das maiores rivalidades da história do esporte mundial e que nasceu no paddock da McLaren. O principal gatilho aconteceu em 1989, quando Senna desrespeitou uma regra da escuderia que impedia ultrapassagens na primeira volta entre os dois pilotos – ou não, já que a corrida teve uma segunda largada e foi nesta que o brasileiro tomou a liderança que era de Prost. Depois disso, a rivalidade se intensificou e foram quatro anos de cutucadas, discursos acalorados e ações inconsequentes – como no GP do Japão de 89 que decidiu o título mundial para o francês.

Em 1994, Prost viajou ao Brasil para o funeral de Senna e ajudou a carregar o caixão do brasileiro.

NELSON PIQUET X NIGEL MANSELL

Outra rivalidade interna, na Williams, e com contornos agressivos. Nelson Piquet e Nigel Mansell não se toleravam e frequentemente se estranhavam nas pistas e fora delas. Em 1987, ambos disputaram ponto a ponto o título mundial que ficou com o brasileiro. Piquet se utilizou de um maior conhecimento mecânico para criar artimanhas para vencer o rival. Anos depois, o piloto brasileiro revelou que tentou brigar com Mansell: “Fiz de tudo para ele bater em mim”.

ALAN JONES X CARLOS REUTEMANN

Tudo começou no GP do Brasil de 1981. O australiano Alan Jones e o argentino Carlos Reutemann eram companheiros de Williams e o “Hermano” liderava a corrida quando o chefe da escuderia, Patrick Head, pediu para que os pilotos trocassem de posição (Jones era o 2º). Reutemann não obedeceu e liderou o carro para a vitória.

Após a corrida, o argentino declarou: “Sempre corri para vencer. Se for para entregar uma vitória, prefiro largar o carro na grama e ir para minha fazenda na Argentina”. A relação dos pilotos se estremeceu, a Williams rachou e o título mundial caiu no colo do brasileiro Nelson Piquet, da Brabham.

MICHAEL SCHUMACHER X FERNANDO ALONSO

Apesar de ter sido um personagem polêmico ao longo da carreira, Fernando Alonso protagonizou uma rivalidade saudável com Michael Schumacher. O espanhol conseguiu desbancar a lenda alemã após cinco títulos mundiais consecutivos. Liderando o carro veloz e estável da Renault, Alonso conseguiu vencer, mesmo que de forma apertada, os campeonatos de 2005 e 2006 – antes da primeira aposentadoria de Schumi. O duelo entre os pilotos no GP de San Marino em 2005 é considerado um dos maiores da história.

FERNANDO ALONSO X LEWIS HAMILTON

Ao contrário da rivalidade com Michael Schumacher, Alonso não foi tão tranquilo com Lewis Hamilton em 2007. O inglês estava em seu ano de estreia na Fórmula 1 e fazendo barulho: conquistou cinco pódios consecutivos e a primeira vitória da carreira no GP do Canadá.

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O tratamento “igualitário” da escuderia para os dois pilotos irritou o espanhol – que queria maiores privilégios. O racha pode ter custado o título mundial, já que a Ferrari liderada por Kimi Räikkönen reagiu e levou o campeonato. No ano seguinte, Hamilton continuou na Mercedes-McLaren (onde está até hoje) e Alonso foi para a Renault.  

LEWIS HAMILTON X MAX VERSTAPPEN

A temporada de 2021 trouxe uma nova rivalidade para a história da Fórmula 1: o inglês Lewis Hamilton, heptacampeão mundial, contra o jovem “holandês voador”, Max Verstappen. O comandante da Mercedes, Toto Wolff, comparou a rivalidade ao embate entre Ayrton Senna e Alain Prost, e não descartou que um acidente possa acontecer no último GP, em Abu Dhabi, para decidir o título mundial. Isso não seria uma novidade, já que no GP da Itália, em Monza, os pilotos se chocaram na volta 26 em uma manobra que ninguém quis ceder a posição.

Em um dos treinos do GP dos EUA em 2021, Verstappen chegou a mostrar o dedo do meio para Hamilton em uma disputa por espaço.