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Petecof busca primeira habilitação enquanto faz ano de estreia na Stock Car

Mesmo com currículo internacional, piloto de 19 anos se dedica às aulas de direção

Thiago Kansler 18/06/2022 • 12:34 - Atualizado em 18/06/2022 • 12:43

Gianluca Petecof é um piloto acostumado a guiar desde a sua infância, entre karts e carros fórmula, com anos de experiência. Mas isso não impediu que ele pudesse passar por um processo bem comum aos jovens: tirar a primeira habilitação.

Aos 19 anos, Petecof é um dos mais promissores nomes do automobilismo nacional. Fenômeno desde que começou no kart, foi campeão da Fórmula Regional Europeia em 2020, chegando à Fórmula 2 em 2021, antes retornar ao Brasil em 2022 para disputar a Stock Car. 

Mas antes disso, o paulistano aprendeu a pilotar cedo, quando tinha apenas seis anos.

“Eu, com seis anos de idade já enchia o saco do meu pai para ele me levar no kart indoor, para ter essa primeira experiência. Ele ficava no meu pé, falando ‘não, só com 12 anos, então vamos esperar’, tentando me deixar longe desse esporte - pelo menos na pista. Um pouco coisa de pai”, lembrou Petecof.

“Aí um menino da minha escola, com seis anos, mesma idade que eu, falou que tinha ido no kart, tinha corrido. Fiquei louco, fui direto para casa, falando: ‘Amanhã a gente vai’. Ele me levou. Foi uma paixão que sempre teve em mim, por assistir as corridas. Para ser sincero, nunca fui tão fanático por carros de rua, mas pela competição, pelo esporte em si, por Fórmula 1, sempre assistindo. Quando comecei no esporte, nunca mais parei”, completou.

A transição do kart para os carros de fórmula foi um desafio bem superado por Gianluca Petecof. No caso dele, a transição veio ao chegar nos campeonatos italiano e alemão de Fórmula 4, em 2018.

“Realmente, acho que, na carreira de um piloto que começa no kart, é o maior pulo que você pode ter. Você muda completamente o conceito das coisas: o carro é muito maior, as pistas são muito maiores, o jeito da guiada é muito diferente. Quando você dá esse pulo, você precisa realmente se concentrar em se adaptar a tudo que é novo, um mundo completamente novo. Mas é bem interessante também, você descobre muitas coisas que você usa até a Fórmula 1 se você chegar lá”, analisou.

A experiência internacional, no entanto, pouco ajudou na hora de buscar a Carteira Nacional de Habilitação.

“Para a Fórmula 4, que foi minha primeira categoria de automobilismo, digamos, você tem as licenças da FIA que te permitem fazer as competições. Não tem nada a ver com rua. Mas desde os 15 anos você pode ter essa licença de competição, então é a que eu tenho no momento. Ao longo dos anos, fui evoluindo a classe. Mas aqui começa do zero, né? Aqui eu começo completamente como um novato e aprendendo desde o curso, todas aquelas etapas de aprender não só sobre a condução, mas também de tudo que envolve o trânsito.”

A reportagem do Band Esporte Clube acompanhou de perto uma das aulas de Petecof, com direito a percurso e baliza. E para quem costuma voar nas pistas, um grande desafio: segurar o pé e não passar dos 30 km/h.

“O carro apita. Deu 31 km/h, é eliminado”, alertou Bruno Crescêncio, instrutor de autoescola do piloto.

“Eu sou tranquilo. Pelo menos para a rua. Eu já vou muito rápido na pista, então aqui posso ficar tranquilo, relaxar, tomar conta de mim e dois outros, que é o mais importante”, reforça Petecof.

A CNH é uma novidade que surge em um ano de mudanças para o piloto, que fez sua estreia na Stock Car. Até aqui, ele classifica a temporada como “fantástica em muitos aspectos”. 

“(Estou) me acostumando do zero à guiada, de um fórmula para um carro de turismo – ainda mais um Stock Car, que é um carro muito manhoso, bem diferente dos carros da Europa. A cada fim de semana, eu vou me acostumando mais”, disse.

Em 2 de julho tem a etapa do Velopark, em Nova Santa Rita (RS). E o objetivo é buscar o primeiro pódio na categoria, já que o melhor resultado nas primeiras provas foi o quarto lugar na segunda corrida da rodada dupla do Rio de Janeiro.

 “Muito confiante para continuar esse desenvolvimento. A gente vem de uma corrida um pouco mais desafiador no Velo Cittá, mas é uma pista que me ajudou muito a me sentir mais confortável com o carro. Para essa, acho que o objetivo tem que ser o pódio, e a gente vai trabalhar o máximo possível para chegar lá”, projetou.

Enquanto isso, Petecof segue fazendo suas aulas para finalmente estar motorizado fora das pistas. Falta pouco, e o desempenho não poderia ser melhor. 

“Está aprovado”, elogia o instrutor Bruno Crescêncio. “Está tranquilo, está aprovado. Está sossegado, pronto para conduzir na rua como nas pista”, completou.

Na verdade, quase pronto, já que GIanluca vai precisar de uma segunda tentativa. Na primeira, como ele compartilhou nas redes sociais, acabou reprovado. 

“Não é possível. Choveu na hora da minha prova prática, fui sair de um ‘pare’ passando por uma valeta e o pneu patinou no molhado”, escreveu ele no Twitter em 1º de junho.