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Saúde: Falta de remédios adia cirurgias em São Paulo

Série "São Paulo Pra Gente", da BandNews FM, aborda temas do cotidiano

Elaine Freires, da BandNews FM 25/05/2022 • 12:27 - Atualizado em 25/05/2022 • 13:08

A falta de remédios e insumos tem adiado cirurgias na cidade de São Paulo. Atualmente, a rede municipal está sobrecarregada com a demanda que ficou represada durante a pandemia e ainda novos usuários após o aumento do desemprego.   

O assunto é abordado pela repórter Elaine Freires, como parte da celebração de aniversário de 17 anos da BandNews FM, na série "São Paulo Pra Gente", que leva ao ar reportagens sobre temas do cotidiano no Estado, como Saúde, Educação, Lazer e Segurança.

Faltam remédios

Nos últimos meses, a dona Ivani coleciona receitas e caixas vazias. A aposentada sofre com artrose, hérnia na coluna, gastrite e pressão alta. Ela faz uso de medicamentos contínuos e pega a maioria deles no posto de saúde perto de casa.  

“'Não tem' (é o que falam no posto). ‘Não está vindo medicamento’, mandam procurar outro posto. Eu vou, não consigo, também não tem. Já (tentei procurar por aplicativo) e não consegui, não tem”, lamenta Ivani. 

Outra queixa constante na rede municipal é a dificuldade para retirar fraldas geriátricas em UBSs (Unidades Básicas de Saúde). O estoque, praticamente, zerou nos postos de São Paulo. 

A prefeitura foi obrigada a fazer compras emergenciais para repor as unidades neste ano. 

Sem perspectivas de quando esses itens e remédios estarão disponíveis, muita gente tira o dinheiro do próprio bolso para pagar os tratamentos. “Dá uns 60%, até 70% da minha aposentadoria. E tenho que pagar. Tenho que ir à farmácia e comprar, porque não posso ficar sem esses remédios”, diz Ivani. 

Cirurgias

Nos últimos meses, a falta de medicamentos e insumos atinge toda a rede pública da maior cidade do país. O problema tem afetado até a realização de cirurgias e procedimentos.  

As justificativas para o atual cenário são desde problemas com matéria-prima e embalagens até o aumento da demanda depois da pandemia, já que o agendamento ficou suspenso por um período pra assegurar mais leitos. Agora, o tempo de espera na fila aumento.

“Cardiologista, ortopedista, neuro, não consigo. Há mais de um ano que tento cirurgia. Esse aqui (mostra receita médica de remédio) acabaram de falar: ‘se não conseguir tem que ser particular’. E a gente não tem condições, não sabe nem quanto é esse exame. Esse tem que internar, ficar no hospital e não tenho condições de pagar", conta a dona de casa Vania Maria de Araújo. 

Esse aumento da demanda por serviços públicos de saúde está ligado a queda na renda e o desemprego.  

Para evitar a sobrecarga no sistema, a saída para muitos especialistas é investir na porta de entrada. 

A atenção primária tem 470 unidades básicas de saúde e 161 equipes de núcleos de apoio à saúde da família. O plano de metas da prefeitura é ampliar até 2025 com mais 60 equipes.  

Sobre o caso da dona Ivani, profissionais da saúde foram à casa dela e o cadastro de remédios foi atualizado. 

A Secretaria Municipal da Saúde informa que concluiu o processo de compra emergencial de sete milhões e setecentas mil de fraldas geriátricas. 

Além disso, a pasta reitera que a alteração de consumo ocasionada pela pandemia provocou mudanças significativas nos processos de compra por causa do aumento de preços e da escassez dos produtos no mercado.