Jornal da Band

Preço da carne de segunda dispara em 12 meses; custo da cesta básica acumula alta

Coxão duro, músculo e fígado, por exemplo, encareceram mais de 30% em 2021

Ramon Ferraz, do Jornal da Band 06/10/2021 • 20:00 - Atualizado em 06/10/2021 • 20:34

O Dieese apontou que as capitais brasileiras acumularam alta no custo da cesta básica. Nos primeiros nove meses do ano, 16 dentre 17 pesquisadas acumularam alta no custo da cesta básica. 

A maior variação foi em Curitiba: 13%. Apenas Salvador apresentou ligeira queda: 0,05%.

“Carne aqui só com osso, só para gente dar um cheiro na comida”, diz a dona de casa Kelly Santos.

Mas carnes assim, consideradas de segunda e de terceira, também estão pesando no bolso. Nos últimos 12 meses, algumas delas tiveram aumentos percentualmente maiores que cortes mais nobres.

Coxão duro, músculo e fígado, por exemplo, encareceram mais de 30%, enquanto a média geral das carnes bovinas foi de 28%.

Segundo o economista Edval Landulfo, como os cortes mais baratos são também os mais procurados, a tendência é que o preço deles suba com mais intensidade quando há uma queda de oferta. É o que está acontecendo agora por causa de fatores como a seca e a desvalorização do real, o que impulsiona a exportação.

“Sem falar que a China, um dos principais compradores, também teve problema na sua produção com suíno e está importando bastante a carne brasileira. Então você tem uma concorrência com o mercado chinês, o mercado europeu, com mercado interno e a alta do dólar”, analisou.

Com isso, o ovo ganha destaque no prato de boa parte da rotina dos brasileiros.

“Já fazia e agora está fazendo mais ainda. Carne está muito cara, então a gente tenta driblar na medida do possível”, afirmou a psicóloga Miriam Grave.