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Pastores suspeitos de corrupção no MEC visitaram Planalto 35 vezes

Governo recua de sigilo e mostra lista de visitas de Arilton Correia e Gilmar dos Santos

Da Redação, com BandNews FM 15/04/2022 • 07:08 - Atualizado em 15/04/2022 • 08:42

Os pastores suspeitos de cobrarem propina de prefeitos em troca de acesso a privilégios no Ministério da Educação (MEC) estiveram pelo menos 35 vezes no Palácio do Planalto durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Os registros de entrada e saída foram divulgados na noite de quinta-feira (15), pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), um dia após se recusar a divulgar as informações, decretando sigilo de 100 anos.

A alegação anterior era de que os dados, se divulgados, poderiam comprometer a segurança do presidente e dos familiares deles.

Segundo o GSI, Arilton Moura participou de 27 agendas no Palácio do Planalto em 2019; uma em 2020; cinco em 2021; e duas em 2022.

Dessas, seis ocorreram depois de o MEC acionar a Controladoria Geral da União (CGU) para apurar as suspeitas envolvendo os religiosos – todas na Casa Civil, comandada por Ciro Nogueira.

Outro pastor, Gilmar dos Santos, esteve dez vezes no Palácio do Planalto, em NOVE delas acompanhando Arilton Moura.

Ele é citado no áudio em que o ex-ministro Milton Ribeiro – que deixou o cargo – fala em priorizar amigos do religioso, a pedido de Jair Bolsonaro.

Os dois são investigados por suspeita de cobrar propina em dinheiro – e até ouro – em troca da liberação de verbas para a construção de escolas.

Os recursos – que seriam destinados aos municípios – são administrados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE.

Após a revelação dos registros, a Casa Civil apagou fotos de uma reunião realizada entre o ministro Ciro Nogueira e o pastor Arilton Moura no ano passado.

O encontro foi realizado em 21 de setembro e havia sido postado em uma conta do Flickr – uma espécie de nuvem para guardar imagens.

O endereço onde as fotos estavam hospedadas aparecia como indisponível ONTEM e trazia a seguinte mensagem: “Parece que a foto ou o vídeo que você está procurando não existe mais”.  

O encontro de Ciro Nogueira não aparece na agenda oficial.