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Investigado, Milton Ribeiro pede exoneração do Ministério da Educação

“Não me despedirei. Direi até breve”, escreveu o ministro da Educação em carta de demissão

Da redação com BandNews TV 28/03/2022 • 16:17 - Atualizado em 28/03/2022 • 20:19

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu exoneração do cargo nesta segunda-feira, 28, em meio a denúncias de favorecimento a pastores na distribuição de verbas da pasta.

“Não me despedirei. Direi até breve”, escreveu na carta de demissão. O texto ainda diz que a finalidade do pedido é eliminar incertezas sobre a conduta do governo federal acerca do combate à corrupção.

“Assim sendo, e levando-se em consideração os aspectos já citados, decidi solicitar ao presidente Bolsonaro a minha exoneração do cargo, com a finalidade de que não paire nenhuma incerteza sobre a minha conduta e a do Governo Federal, que vem transformando este país por meio do compromisso firme da luta contra a corrupção”, disse o ministro.

Ainda nesta tarde, o presidente Jair Bolsonaro (PL) assinou o decreto de exoneração de Ribeiro, publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), a pedido do próprio ministro, como informado na carta enviada ao Planalto.

Victor Godoy Veiga, secretário-executivo do Ministério da Educação, deve assumir o cargo temporariamente. Há a expectativa de que um nome do “centrão”, ala de congressistas afinada com Bolsonaro, seja empossado na pasta. 

Senado 

Integrantes do governo e aliados também estariam preocupados com a audiência de Milton Ribeiro na Comissão de Educação do Senado, marcado para próxima quinta-feira, 31. “Seria um massacre”, disse um interlocutor à reportagem da Band

Vídeo: Milton Ribeiro: “Não quero que paire nenhuma incerteza”

Investigação

Em áudios divulgado pela imprensa, o ministro Milton Ribeiro afirmou priorizar amigos de um pastor no repasse de verbas a municípios. As falas dele apontam o favorecimento de municípios que negociaram verbas diretamente com dois pastores

Por outro lado, os pastores não têm cargos no governo. Segundo o ministro, nos áudios, a “priorização” de determinadas prefeituras seria um pedido do presidente Bolsonaro.

Segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo, Gilmar Santos e Arilton Moura usavam o hotel Grand Bittar, em Brasília, como uma espécie de QG (Quartel General) para a negociação de recursos com prefeitos e assessores.

Em uma das ocasiões, segundo um funcionário, um dos pastores – ao se gabar da situação - chegou a tirar uma barra de ouro do bolso em meados do ano passado.

Nova denúncia

Uma nova denúncia aponta que pastores envolvidos na liberação de verbas do Ministério da Educação distribuíram Bíblias com fotografias do ministro Milton Ribeiro em um evento organizado por um prefeito no Pará.

O encontro aconteceu em julho do ano passado na cidade de Salinópolis, a 220 quilômetros de Belém, quando o MEC aprovou a destinação de R$ 5,8 milhões para a construção de uma escola.

Ao todo, foram mais de mil reais em Bíblias impressas, cada uma ao custo de R$ 70, e o gasto foi bancado pelo prefeito do município, Carlos Alberto de Sena Filha, o Kaká Sena, do PL.

A edição – que também traz as imagens de Gilmar Santos e Arilton Moura – foi feita pela Igreja Ministério Cristo para Todos, que tem uma gráfica em Goiânia e é ligada aos dois pastores.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para apurar a suspeita de cobrança de propina na liberação de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação – o FNDE.

Entre os investigados está o próprio ministro Milton Ribeiro.

Defesa

Ribeiro divulgou uma nota para negar o suposto pedido feito por Bolsonaro em relação ao atendimento preferencial aos dois pastores. O ministro também explicou que a fala dele destacou que o governo está disposto a atender todos que o procurem, inclusive os líderes religiosos citados.

“Registro ainda que o Presidente da República não pediu atendimento preferencial a ninguém, solicitou apenas que pudesse receber todos que nos procurassem, inclusive as pessoas citadas na reportagem”, afirmou o ministro. 

O presidente Jair Bolsonaro defendeu o ministro e disse que colocaria “a cara no fogo” por ele.