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Polícia prende suspeito pelo desaparecimento de jornalista e indigenista

Buscas por Phillips e Bruno, que desapareceram na Amazônia, entraram no 4º dia

Da Redação, com BandNews FM 08/06/2022 • 13:52 - Atualizado em 08/06/2022 • 13:55
Cinco pessoas foram ouvidas nas investigações
Cinco pessoas foram ouvidas nas investigações
Fotos: Reprodução

A Polícia Militar do Amazonas prendeu, na manhã desta quarta-feira (8), um homem suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips na região do Vale do Javari, na Amazônia. Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido na região como "Pelado", foi detido na comunidade São Gabriel. 

Segundo o documento que a BandNews FM do Amazonas teve acesso, Amarildo foi preso em flagrante por porte ilegal de munição de uso restrito.  

Testemunhas relataram à polícia que viram a lancha do suspeito seguir na direção da embarcação do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, em um intervalo de dez minutos, nas proximidades da Comunidade da Cachoeira.

Ainda no documento, Amarildo é apontado com a pessoas que já havia ameaçado os desaparecidos e, inclusive, feito disparos de arma de fogo contra integrantes da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Ele foi levado ao 50º Distrito Integrado de Polícia para prestar esclarecimentos.

 Às 17h desta quarta-feira (8), no horário de Brasília, a Polícia Federal deve realizar uma entrevista coletiva em Manaus para falar sobre o andamento das investigações.

O desaparecimento  

Nesta quarta-feira (08), as buscas por Phillips e Bruno entraram no 4º dia e contam com o apoio da Marinha, do Exército, da Força Nacional e das forças de segurança do Amazonas.

O servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai) e o colaborador do Jornal The Guardian desapareceram no Vale do Javari, na Amazônia. Eles foram vistos pela última vez na tarde do domingo (5), segundo nota divulgada pela Univaja.

Bruno é indigenista especializado em povos indígenas isolados e conhecedor da região, onde foi coordenador regional por cinco anos. Já Dom Phillips é veterano de cobertura internacional e mora no Brasil há mais de 15 anos.

Segundo lideranças indígenas, o jornalista e o ativista estariam recebendo ameaças de garimpeiros que atuam de forma ilegal na região.

Até o momento, cinco pessoas foram ouvidas nas investigações. Apenas Amarildo, conforme revelou a SSP, é considerado suspeito. As demais são testemunhas.

Apelo das famílias

Após a notícia do desaparecimento, a família do jornalista implorou às autoridades brasileiras que se empenhem nas buscas.

"Imploramos às autoridades brasileiras que enviem a Força Nacional, a Polícia Federal e todos os poderes à sua disposição para encontrar nosso querido Dom", disse o cunhado do jornalista Dom Phillips, Paul Sherwood, em rede social. "Ele ama o Brasil e dedicou sua vida à cobertura da Floresta Amazônica", completou

A esposa do jornalista, Alessandra Sampaio, também fez um apelo às autoridades para haver esforço nas buscas.  

“A gente ainda tem um pouquinho de esperança de encontrar eles. Mesmo que eu não encontre o amor da minha vida vivo, eles têm que ser encontrados, por favor. Intensifiquem essas buscas. Estou fazendo esse apelo", disse ela.  

A irmã de Phillips que vive no Reino Unido, Sian Phillips, também cobrou as autoridades. "Cada minuto conta", disse.  

Uma carta aberta, divulgada pela família do indigenista Bruno Pereira, pediu prioridade e urgência. No texto, defende ainda que seja garantida segurança às equipes que trabalham no resgate.